Ensaios

Poesia

sábado, 20 de maio de 2017

Se Foi, Será, Seria

Aos adiantares das horas
Frívolas como passatempo tolo
Expostos a versões de caso e acasos
Perdido entre meio termos
Tudo e nada não fazem mais diferença

Doce noções de ilusão
Remete ao que vivi
Momentos que perduram
Saudades de elos perdidos
Remotas regiões de um vazio
Espaço preenchido pela ansiedade

As velhas mesmas obrigações
Rotinas de náuseas persistentes
Do presente incolora esmo
Sem sentido vou carregando
Minhas ânsias voltadas ao teu eterno retorno

Querer do não querendo
Vamos glorificar o futuro
Esse de que tanto se fala
Coberto de tantas falhas
Entre antigos amores esparsos

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Sobre Limbos, Arrependimento e Redenção

Não se esmera mais nos tempos
Respostas, questões e outras verborragias
Pautas desconexas ou metas incertas
Eu formo assim meu limbo
O mesmo limbo de uma angustia
Esta que corroí a mente indigente

Tal qual o sofrimento expresso
Chega rápido ao que foi dito
O Raciocínio flui para a certeza da origem
Mas o sofrer persiste a desatinar
Respondendo que nada é tudo
Sou a forja da dor do meu eu

Tenho em mim as perguntas 
seria bom mudar em certa medida
Porém fica a duvida que sai pela tangente
como, quando, porque, para que, o que mudar?
Um passageiro do ato inerte do nada
Receoso demais para com o próprio andar

Vejo nas coisas alguns velhos reflexos
Momentos daquilo onde perdi e não fiz
Utopias que pelos dedos se esvaem
Sentimentos e sensações de aconchego
Passaram aos desígnios da velha lamentação
Mais do mesmo velho amor rabugento

Onde me encontro no presente
É territorio de futuro pantanoso
Onde pouco se fez e muito se naufragou
Já é tarde para dizer o tamanho do que sentia
Este trem da História passou a tempos 
Descarrilou e hoje espero na estação esperança
Que ele passe de novo levando a minha redenção

sábado, 29 de outubro de 2016

Navegação de Incertezas

Uma ruptura acarreta muitos caminhos
Por vezes disperso em escolhas
Forma encruzilhadas em nosso destino
Das possibilidades nenhuma parece ser boa
Vejo tudo agora em completo desalinho

Me escapa do vocabulário qualquer maneira
De expor eficazmente meu atordoamento
Uma cisão deste tamanho segue uma cina
Em uma bela comédia trágica grega
Me tornei o pierrô de riso triste

Sou aquilo que não queria ser
Posto perdido por erros disformes
Incompreensão daquilo que me compreendeu
Na inércia de não fazer e dizer que nutria
Agora aquele porto-seguro já não me pertence
Quiça por motivos de demonstração ausente

A velha angustia adormecida saiu da caverna
Acordada em meio a dores dilacerantes
Navegarei agora como nau a deriva
Rumo indefinido se movendo em círculos
Sem teus braços minha bussola já não tem mais norte
Procurando tolamente o mesmo afeto
Amor perdido em eterno infortúnio 

Revolta De Tempos

Nos tempos longínquos de uma certa vida
Viver era algo certeiro
Tão mais fácil ficar a esmo
O inesperado não existia
Era o aconchego de amar em sossego

Sem birras ou picuinhas
Na terra das grandes feitorias
O cotidiano  das grandes dificuldades
Tinha-se ainda a possibilidade
De resolver a contento suas perplexidades

Eis que este castelo de cartas acaba ruindo
Desmancha entre as mãos como areia
Efêmero como um instante do tempo
Tudo aquilo em que se acreditava
Foi suprimido de sentidos intensos

O ambiente sofre uma reviravolta
Crenças e ideias são modificadas
O medo e angustia são agora moeda corrente
Com elas agora se compra um pouco de tudo
 obediência, progresso e disciplina  pela coerção

No limiar desse tempo impreciso
Haja as vistas o que tenho sentido
Reina um caos da inércia do choque
Pois amor, utopias e outros sonhos
São atitudes de subversivos malditos