Ensaios

Poesia

domingo, 16 de junho de 2019

Foi, não foi, não será

Já Tarda as dores do mais do mesmo
Causas perdidas de um mesmo cotidiano
Fatos e rotinas morosas a torto e direito
Hoje sou a própria figura do farrapo humano

Ainda estou aqui remoendo futuro e passado
O passado me é saudoso pois lá vivi
É nele que se deposita meus fracassos
Fonte dos arrependimentos atuais em si

Ai de mim que no passado viveu amores
Eles se tornam as lembranças do melhor do que fui
Momentos que são eternos das lembranças e ardores
Contudo se torna a maldição que perversamente flui
Remoendo erros e perdas no presente sem fervores

O que sou nesse atormentado presente doente
Me tornei afinal das contas uma espécie de corcunda de Notre-Dame
Sair para encarar a dureza dos outros humanos queima feito brasa quente
Assim parece que sigo a sina de seguir escondido na torre distante
Ali é o refugio onde escapo de julgamentos e hipocrisia indecente

É o Mal estar que me consome pela saudade do afeto que tive no passado
O meu presente é uma ausência de sentir e de sentido nefasto
É o cão dos diabos amar e não ser amado como uma constante existente de fato
Os dias passam como quedas certas nos meus passos dos atos
Minha vida parece uma tragicomédia encenada por palhaços em um teatro

Não existe maquina do tempo para reviver o passado
Muito menos elixir ou solução eficaz para consertar meu presente
Logo então serei ser com um futuro inexistente com fato consumado
Na História individual que é um excepcional normal inconsistente
Frustrações clássicas por não ter correspondência no querer presente
Passado, presente e futuro afinal das contas do que foi realizado
foram pesados, medidos e considerados irremediavelmente insuficientes.



domingo, 30 de setembro de 2018

Saudades e Devoluções

Arrumando minha estante de livros, acabei encontrando um pequeno livro de Contos de Eduardo Galeano, Dias e Noites de Amor e de Guerra. Em sua pagina inicial, me deparo com uma frase de minha autoria escrita nele, pois  um dia o livro fora um presente remetido a minha ultima bela recordação do passado, que acabou sendo devolvido por estas coisas que acontecem de fins fatídicos entre contatos humanos. A frase, marcada na folha com uma caneta de cor azul, apesar do garrancho crasso da minha escrita, era sincera e dizia isto: " A saudade por assim dizer,  das tristezas que nos acometem, a melhor. Acalenta-nos, anestesia e entorpece de vislumbres distantes únicos. Tal como colo de mãe, nos conforta das dores e dos desgostos do presente."

Esta frase me pegou desprevenido, assim como ter encontrado este livro novamente na estante. A frase me remete a saudade evidente, de tempos passados onde nas horas mais escuras acabava encontrando conforto em braços que representavam a minha maior fortaleza, de onde podia estar a salvo das dores de parto das ansiedades e dos velhos medos que me acometiam. 

Entretanto o livro também me desperta a memória de algo que fora rejeitado, retornado para devolução tal como correspondência que não fora entregue no endereço certo, um engano crasso. A simbologia e as ironias entre o que o frase aborda e o que significa o livro são quase uma piada de mal gosto, brincadeiras sádicas que as fiandeiras do Destino acabaram por tramar comigo.

A junção dos dois símbolos, livro e frase, reforçam para mim velhos sentimentos remanescentes. A maior das brigas internas, a frase de uma página do livro que não consigo concluir, literalmente. É cicatriz que não cessa de abrir a cada momento que paro de fazer algo, pois estar no ócio atualmente é praticamente deixar levar meus pensamentos nas origens da minha maior melancolia e arrependimento daquilo que por um momento era concreto, mas assim como tudo que é solido, acabou por se desmanchar no ar.

Para onde foi parar aquela serenidade em olhares de cumplicidade cuidadosa, de compreensão mutua, das teimosias ranzinzas e dos afetos acolhedores não sei bem, mas ficaram entre algum ermo distante do passado, entranhado e marcado na minha memória como ferro em brasa. A marca se torna um lembrete, ao mesmo tempo reconfortante e sofrido, e nisso acabo anestesiado pelas andanças da rotina. 

Assim posso seguir ao menos uma rota, em passos desajustados de quem esta reaprendendo a caminhar. Nestas passadas entre reconforto e sofrimento, a mescla de ambos sentimentos serve enfim como muleta, fazendo o presente estrada cheia de obstáculos para um futuro de perspectiva baixa comparado com um passado glorificado por paginas marcadas do saudosismo, em que por vezes alguma esperança reacende ao reler a página, sendo força contrária que persiste a não deixar a página ser passada adiante.

Quando acabo lendo o titulo do livro que fora devolvido, Dias e Noites de Amor e de Guerra, chego a esboçar um sorriso. Sorriso que poderia virar uma bela gargalhada de desespero, devido a representação do que Dias e Noites de Amor e de Guerra estão sendo atualmente conviver com batalhas de um conflituoso amor perdido. Os Dias e Noites de Amor tiveram seu fim, agora só resta a aurora de uma Guerra interna de mim comigo mesmo. 





domingo, 24 de dezembro de 2017

Dos Sentimentos Persistentes

Sentimentos que persistem que já não voltam mais, como lidar com estes, digamos, constantes espinhosos dos nossos rotineiros dias? A que ponto suportamos veladamente, guardados dentro de nossas armaduras, transparecendo ao exterior risos e brincadeiras, quando na verdade nosso papel é o de palhaço de triste figura? Por essas idas e vindas de pensar e amar, as respostas e questionamentos vão ser inúmeras, mas a variável de estas serem as corretas para sua situação é difícil de ser encaixada na realidade de efervescência emocional.

Ao fundo a velha esperança vigora como o ultimo bote de salvamento de uma Nau a deriva em um turbulento Oceano de emoções, vagando a esmo sem um vento para fazer as velas seguirem em alguma rota redentora. Nestes tempos onde cada individuo é uma ilha sem ligação com o continente, seria a ideia de que primeiro precisamos nos perder nos devaneios de uma viagem, imersa em novos acontecimentos, para finalmente nos encontrarmos? ou quiçá a valentia de uma teimosia de lutar por aquilo que mais preza e ama valha a pena em sua efêmera História de vida?

Busca eterna de alguém que não se conforma estar só, ou que pareça que a solitude de estar isolado da contemplação de um olhar de companheirismo cálido. A sensação de estar sendo importante e se importar com algo nos remete e traz uma das melhores sensações que um ser humano possa vir a ter: apaziguamento. Estar não feliz, alegre, triste, raivoso, ansioso, animado, mas sim estável, onde suas ideias, pensamentos e físico estão em sintonia prontos para encarar as agruras do dia a dia, pois tem a certeza que possa contar e ter a estima de alguém que servirá como o farol de luz nas noites mais escuras.

Relações humanas nunca serão exatas e de resultado óbvio como uma ciência matemática. Cada ser é uno, de personalidade variada e complexa, afetado e influenciado por uma série de fatores infinitos. Somos pequenos universos espalhados dentro de um mesmo planeta, se chocando e formando novas possibilidades de encontro e desencontros, onde amores, prazeres, dores e rancores entrelaçam-se e uma cadeia de ligações nevrálgicas, que em alguns casos são tão resistentes e fortes como a lei da gravidade, e em outros tão frágeis que se desmancham no ar.

Por essas conjecturas tão amarradas em um emaranhado de poréns e entretantos, por mais doloroso que seja e te pese ver a principio o bater de asas para longe de seu grande amor, a maior prova dele é abdicar do mesmo. Nestes dias tão egoístas e ausentes de um sentimento de empatia pelo outro, ter a percepção de que sua felicidade não pode ser a custa da infelicidade de alguém, pode ser a ferramenta transformadora de si mesmo. Obviamente isso não é um processo que se consiga lidar sem certas “dores de parto”, mas assim como um parto, uma nova vida pode surgir a partir dai.

Deixo aqui um pedaço de poema do Grande Pablo Neruda  sobre tudo isso:

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
...Do teu coração me diz adeus uma criança.

E eu lhe digo adeus.

sábado, 20 de maio de 2017

Se Foi, Será, Seria

Aos adiantares das horas
Frívolas como passatempo tolo
Expostos a versões de caso e acasos
Perdido entre meio termos
Tudo e nada não fazem mais diferença

Doce noções de ilusão
Remete ao que vivi
Momentos que perduram
Saudades de elos perdidos
Remotas regiões de um vazio
Espaço preenchido pela ansiedade

As velhas mesmas obrigações
Rotinas de náuseas persistentes
Do presente incolora esmo
Sem sentido vou carregando
Minhas ânsias voltadas ao teu eterno retorno

Querer do não querendo
Vamos glorificar o futuro
Esse de que tanto se fala
Coberto de tantas falhas
Entre antigos amores esparsos