Ensaios

Crônicas de George

Poesia

domingo, 16 de junho de 2019

Foi, não foi, não será

Já Tarda as dores do mais do mesmo
Causas perdidas de um mesmo cotidiano
Fatos e rotinas morosas a torto e direito
Hoje sou a própria figura do farrapo humano

Ainda estou aqui remoendo futuro e passado
O passado me é saudoso pois lá vivi
É nele que se deposita meus fracassos
Fonte dos arrependimentos atuais em si

Ai de mim que no passado viveu amores
Eles se tornam as lembranças do melhor do que fui
Momentos que são eternos das lembranças e ardores
Contudo se torna a maldição que perversamente flui
Remoendo erros e perdas no presente sem fervores

O que sou nesse atormentado presente doente
Me tornei afinal das contas uma espécie de corcunda de Notre-Dame
Sair para encarar a dureza dos outros humanos queima feito brasa quente
Assim parece que sigo a sina de seguir escondido na torre distante
Ali é o refugio onde escapo de julgamentos e hipocrisia indecente

É o Mal estar que me consome pela saudade do afeto que tive no passado
O meu presente é uma ausência de sentir e de sentido nefasto
É o cão dos diabos amar e não ser amado como uma constante existente de fato
Os dias passam como quedas certas nos meus passos dos atos
Minha vida parece uma tragicomédia encenada por palhaços em um teatro

Não existe maquina do tempo para reviver o passado
Muito menos elixir ou solução eficaz para consertar meu presente
Logo então serei ser com um futuro inexistente com fato consumado
Na História individual que é um excepcional normal inconsistente
Frustrações clássicas por não ter correspondência no querer presente
Passado, presente e futuro afinal das contas do que foi realizado
foram pesados, medidos e considerados irremediavelmente insuficientes.



domingo, 30 de setembro de 2018

Saudades e Devoluções

Arrumando minha estante de livros, acabei encontrando um pequeno livro de Contos de Eduardo Galeano, Dias e Noites de Amor e de Guerra. Em sua pagina inicial, me deparo com uma frase de minha autoria escrita nele, pois  um dia o livro fora um presente remetido a minha ultima bela recordação do passado, que acabou sendo devolvido por estas coisas que acontecem de fins fatídicos entre contatos humanos. A frase, marcada na folha com uma caneta de cor azul, apesar do garrancho crasso da minha escrita, era sincera e dizia isto: " A saudade por assim dizer,  das tristezas que nos acometem, a melhor. Acalenta-nos, anestesia e entorpece de vislumbres distantes únicos. Tal como colo de mãe, nos conforta das dores e dos desgostos do presente."

Esta frase me pegou desprevenido, assim como ter encontrado este livro novamente na estante. A frase me remete a saudade evidente, de tempos passados onde nas horas mais escuras acabava encontrando conforto em braços que representavam a minha maior fortaleza, de onde podia estar a salvo das dores de parto das ansiedades e dos velhos medos que me acometiam. 

Entretanto o livro também me desperta a memória de algo que fora rejeitado, retornado para devolução tal como correspondência que não fora entregue no endereço certo, um engano crasso. A simbologia e as ironias entre o que o frase aborda e o que significa o livro são quase uma piada de mal gosto, brincadeiras sádicas que as fiandeiras do Destino acabaram por tramar comigo.

A junção dos dois símbolos, livro e frase, reforçam para mim velhos sentimentos remanescentes. A maior das brigas internas, a frase de uma página do livro que não consigo concluir, literalmente. É cicatriz que não cessa de abrir a cada momento que paro de fazer algo, pois estar no ócio atualmente é praticamente deixar levar meus pensamentos nas origens da minha maior melancolia e arrependimento daquilo que por um momento era concreto, mas assim como tudo que é solido, acabou por se desmanchar no ar.

Para onde foi parar aquela serenidade em olhares de cumplicidade cuidadosa, de compreensão mutua, das teimosias ranzinzas e dos afetos acolhedores não sei bem, mas ficaram entre algum ermo distante do passado, entranhado e marcado na minha memória como ferro em brasa. A marca se torna um lembrete, ao mesmo tempo reconfortante e sofrido, e nisso acabo anestesiado pelas andanças da rotina. 

Assim posso seguir ao menos uma rota, em passos desajustados de quem esta reaprendendo a caminhar. Nestas passadas entre reconforto e sofrimento, a mescla de ambos sentimentos serve enfim como muleta, fazendo o presente estrada cheia de obstáculos para um futuro de perspectiva baixa comparado com um passado glorificado por paginas marcadas do saudosismo, em que por vezes alguma esperança reacende ao reler a página, sendo força contrária que persiste a não deixar a página ser passada adiante.

Quando acabo lendo o titulo do livro que fora devolvido, Dias e Noites de Amor e de Guerra, chego a esboçar um sorriso. Sorriso que poderia virar uma bela gargalhada de desespero, devido a representação do que Dias e Noites de Amor e de Guerra estão sendo atualmente conviver com batalhas de um conflituoso amor perdido. Os Dias e Noites de Amor tiveram seu fim, agora só resta a aurora de uma Guerra interna de mim comigo mesmo. 





domingo, 24 de dezembro de 2017

Dos Sentimentos Persistentes

Sentimentos que persistem que já não voltam mais, como lidar com estes, digamos, constantes espinhosos dos nossos rotineiros dias? A que ponto suportamos veladamente, guardados dentro de nossas armaduras, transparecendo ao exterior risos e brincadeiras, quando na verdade nosso papel é o de palhaço de triste figura? Por essas idas e vindas de pensar e amar, as respostas e questionamentos vão ser inúmeras, mas a variável de estas serem as corretas para sua situação é difícil de ser encaixada na realidade de efervescência emocional.

Ao fundo a velha esperança vigora como o ultimo bote de salvamento de uma Nau a deriva em um turbulento Oceano de emoções, vagando a esmo sem um vento para fazer as velas seguirem em alguma rota redentora. Nestes tempos onde cada individuo é uma ilha sem ligação com o continente, seria a ideia de que primeiro precisamos nos perder nos devaneios de uma viagem, imersa em novos acontecimentos, para finalmente nos encontrarmos? ou quiçá a valentia de uma teimosia de lutar por aquilo que mais preza e ama valha a pena em sua efêmera História de vida?

Busca eterna de alguém que não se conforma estar só, ou que pareça que a solitude de estar isolado da contemplação de um olhar de companheirismo cálido. A sensação de estar sendo importante e se importar com algo nos remete e traz uma das melhores sensações que um ser humano possa vir a ter: apaziguamento. Estar não feliz, alegre, triste, raivoso, ansioso, animado, mas sim estável, onde suas ideias, pensamentos e físico estão em sintonia prontos para encarar as agruras do dia a dia, pois tem a certeza que possa contar e ter a estima de alguém que servirá como o farol de luz nas noites mais escuras.

Relações humanas nunca serão exatas e de resultado óbvio como uma ciência matemática. Cada ser é uno, de personalidade variada e complexa, afetado e influenciado por uma série de fatores infinitos. Somos pequenos universos espalhados dentro de um mesmo planeta, se chocando e formando novas possibilidades de encontro e desencontros, onde amores, prazeres, dores e rancores entrelaçam-se e uma cadeia de ligações nevrálgicas, que em alguns casos são tão resistentes e fortes como a lei da gravidade, e em outros tão frágeis que se desmancham no ar.

Por essas conjecturas tão amarradas em um emaranhado de poréns e entretantos, por mais doloroso que seja e te pese ver a principio o bater de asas para longe de seu grande amor, a maior prova dele é abdicar do mesmo. Nestes dias tão egoístas e ausentes de um sentimento de empatia pelo outro, ter a percepção de que sua felicidade não pode ser a custa da infelicidade de alguém, pode ser a ferramenta transformadora de si mesmo. Obviamente isso não é um processo que se consiga lidar sem certas “dores de parto”, mas assim como um parto, uma nova vida pode surgir a partir dai.

Deixo aqui um pedaço de poema do Grande Pablo Neruda  sobre tudo isso:

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
...Do teu coração me diz adeus uma criança.

E eu lhe digo adeus.

sábado, 20 de maio de 2017

Se Foi, Será, Seria

Aos adiantares das horas
Frívolas como passatempo tolo
Expostos a versões de caso e acasos
Perdido entre meio termos
Tudo e nada não fazem mais diferença

Doce noções de ilusão
Remete ao que vivi
Momentos que perduram
Saudades de elos perdidos
Remotas regiões de um vazio
Espaço preenchido pela ansiedade

As velhas mesmas obrigações
Rotinas de náuseas persistentes
Do presente incolora esmo
Sem sentido vou carregando
Minhas ânsias voltadas ao teu eterno retorno

Querer do não querendo
Vamos glorificar o futuro
Esse de que tanto se fala
Coberto de tantas falhas
Entre antigos amores esparsos

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Sobre Limbos, Arrependimento e Redenção

Não se esmera mais nos tempos
Respostas, questões e outras verborragias
Pautas desconexas ou metas incertas
Eu formo assim meu limbo
O mesmo limbo de uma angustia
Esta que corroí a mente indigente

Tal qual o sofrimento expresso
Chega rápido ao que foi dito
O Raciocínio flui para a certeza da origem
Mas o sofrer persiste a desatinar
Respondendo que nada é tudo
Sou a forja da dor do meu eu

Tenho em mim as perguntas 
seria bom mudar em certa medida
Porém fica a duvida que sai pela tangente
como, quando, porque, para que, o que mudar?
Um passageiro do ato inerte do nada
Receoso demais para com o próprio andar

Vejo nas coisas alguns velhos reflexos
Momentos daquilo onde perdi e não fiz
Utopias que pelos dedos se esvaem
Sentimentos e sensações de aconchego
Passaram aos desígnios da velha lamentação
Mais do mesmo velho amor rabugento

Onde me encontro no presente
É territorio de futuro pantanoso
Onde pouco se fez e muito se naufragou
Já é tarde para dizer o tamanho do que sentia
Este trem da História passou a tempos 
Descarrilou e hoje espero na estação esperança
Que ele passe de novo levando a minha redenção

sábado, 29 de outubro de 2016

Navegação de Incertezas

Uma ruptura acarreta muitos caminhos
Por vezes disperso em escolhas
Forma encruzilhadas em nosso destino
Das possibilidades nenhuma parece ser boa
Vejo tudo agora em completo desalinho

Me escapa do vocabulário qualquer maneira
De expor eficazmente meu atordoamento
Uma cisão deste tamanho segue uma cina
Em uma bela comédia trágica grega
Me tornei o pierrô de riso triste

Sou aquilo que não queria ser
Posto perdido por erros disformes
Incompreensão daquilo que me compreendeu
Na inércia de não fazer e dizer que nutria
Agora aquele porto-seguro já não me pertence
Quiça por motivos de demonstração ausente

A velha angustia adormecida saiu da caverna
Acordada em meio a dores dilacerantes
Navegarei agora como nau a deriva
Rumo indefinido se movendo em círculos
Sem teus braços minha bussola já não tem mais norte
Procurando tolamente o mesmo afeto
Amor perdido em eterno infortúnio 

Revolta De Tempos

Nos tempos longínquos de uma certa vida
Viver era algo certeiro
Tão mais fácil ficar a esmo
O inesperado não existia
Era o aconchego de amar em sossego

Sem birras ou picuinhas
Na terra das grandes feitorias
O cotidiano  das grandes dificuldades
Tinha-se ainda a possibilidade
De resolver a contento suas perplexidades

Eis que este castelo de cartas acaba ruindo
Desmancha entre as mãos como areia
Efêmero como um instante do tempo
Tudo aquilo em que se acreditava
Foi suprimido de sentidos intensos

O ambiente sofre uma reviravolta
Crenças e ideias são modificadas
O medo e angustia são agora moeda corrente
Com elas agora se compra um pouco de tudo
 obediência, progresso e disciplina  pela coerção

No limiar desse tempo impreciso
Haja as vistas o que tenho sentido
Reina um caos da inércia do choque
Pois amor, utopias e outros sonhos
São atitudes de subversivos malditos

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Dos Nadas Relevantes

Destes percalços extremados
Aqui  andam por terra e mar
Pois no ar já se tornou poeira
Aquilo que não se sabe
O dito cujo inconsistente

Esperando retomadas
Das essências de um tempo
Em que coisas eram feitas
Não de forma perfeita e clara
Mas de tudo um pouco fazia sentido

Possibilidade saída de certezas incertas
Advindas daquele sentimento eterno
Que toma e assombra a alma dos apreensivos
É a velha carcomida da ansiedade
Vindo cobrar o quinhão de parte da alma

Não sei o que quero
Não sei o que sou
Ficamos assim
Perguntando enfim
Porque estou assim
Para onde ir
Para onde vou
Desses vários Nadas

No fim das contas inexatas
Se estabelece outra fórmula
Ou talvez brilhante teoria
Do passado maltratado
No presente insustentável
E de futuro invariado


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Carta Engarrafada

Aqui as coisas desandam
De vazio em vazio
Vou preenchendo garrafas
Destas com cartas contendo
Jogadas mar adentro
Levando sentimentos a contento

Sentimentos guardados e profusos
De intensidade singular e imensa
Na Mesma medida são confusos
Machucam, incomodam alma e cabeça
Ansiedade presa prende o indeciso
Amar, ser amado ou desprezado

Nas ondas segue carta na garrafa
levada pelas correntezas do mar
Oceano imenso dificulta seu encontro
Mas a esperança de um acaso para o achado
Que liberte e aceite o conteúdo da carta
Aflições, sonhos, dores, amores e  outras fontes




segunda-feira, 13 de junho de 2016

Sendo Ninguém Sentido

Viver sem despertar
Sem nada a esperar
Perspectivas já não tardam
Pois finalmente retardam
sentimentos e outras amenidades
lembranças de outras barbaridades

Ah se fosse apenas a memória
Criadora de flagelos a esta hora
É apenas o dito pelo não dito
Revirar o que passou dando visto
Eis que nas rotas que vou indo
Resultados já não tem mais sentido

Antes fosse mera chateação
Ou  exagero na lamentação
Agora nada traz alivio
viver se torna um suplicio
Na sincronia perfeita
No realismo da ausência

Afinal das contas cobradas
Lembranças são borradas
Alguém ira se importar
da besta humana e seu bem estar
Agora sou o ser invisível
Me tornei um ninguém irreversível


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Segundo Os Ditos

De outros fatos existentes
Dos termos incautos para viver
Se forma Coisas e objetivos
Pré-determinados pelo um todo
Não existe escapatória de tal monstro

Obrigações, regulamentações a se seguir
metas, objetivos planos a se conseguir
Ai de nós não seguir este enquadro
Provavelmente assim serás taxado
Naquele condenação de eterno fracassado

O ar nos é tragado de N maneiras
Ar comprimido por pressões
Seja no falsa sensação de alivio familiar
Nos ditames de uma relação de amor
Ou nas considerações de um trabalho
As coisas ficam num plano inconsistente
Onde nunca seremos o suficiente

Agora estamos na era da ansiedade perdida
Cada vez mais com ideias e ideais sendo rasgados
contexto onde direitos são tirados e reduzidos
Obrigações dobradas nos deveres
O prazer antes pecado agora é contravenção

domingo, 28 de fevereiro de 2016

3 Macacos Omissos

  São tantas coisas incongruentes , que a realidade não parece ser um local favorável ou ao menos, que podemos prezar. Vive-se com excessos de pensamentos em que dormir parece ser a unica forma concreta de descanso, o pó do deus do sono nos olhos se torna o único refugio para as dores do mundo. De planos estipulados sobre uma vida profissional ao qual se teme fracassar, passando pela situação nada favorável do que nos rodeia, da sociedade prostrada e ferida economicamente, socialmente, politicamente, culturalmente ,cheia de relativismos sínicos e de nilismos que beiram ao narcisismo romanceado por muitos, engolfada pelas chamas dos dragões da ansiedade e da angustia,  e como muitos, sou incapaz de reagir ou buscar algum sentido para os rumos que tomo e onde estes malditos pés que tenho irão me levar.

  A incapacidade e a omissão poderiam até tornar-se meus sobrenomes e de muitos, como direito a estarem presentes no meu RG, CPF e cartão de crédito, afim de identificar alguém ou algo que vive dando com os burros n'água. De frustração em frustração alcançamos as virtudes de nada ser e nada ter, invisível aos olhos de qualquer um. Do medo do fracasso e dos incômodos de um caminho difícil, ação tomada por este ser que aqui relata isto jamais é tomada. Ficar dentro do próprio casulo divagando sobre como seria, um talvez, estipular inúmeros "e se?" conformam corpo e alma, ao fim de tudo é mais seguro devanear sobre sonhos nunca alcançados do que sair para os desconfortos do mundo real. 

  O belo mundo real, aquele em que você não é percebido por ninguém, ocupados demais cada um com suas atribuladas funções de rotinas, apressados nos passos na rua rumo a afazeres beneficiando na maior parte das vezes o egoismo alheio e o seu, e assim coletivamente somos uma população do paradoxo de egoísmos coletivos. Parece que ao nosso redor os outros são agora imperceptíveis em suas angustias e problemas, aquela perversa conduta de fingir a inexistência do pobre mendigo morador de rua e seu problema social se estende aos colegas, amigos e familiares,somos o exemplo clássico da fabula dos 3 macacos:  não falamos, não escutamos, não enxergamos. Estender ajuda a alguém somente pelo ato da ajuda e de que aquilo fará um bem tanto a quem ajuda e ao ajudado virou uma quimera de poeira jogada ao vento. A ideia da frase "farinha pouca meu pirão primeiro" é agora o décimo primeiro mandamento da humanidade.

  É tanta ausência de emoções e sentimentos no cotidiano que falta muito pouco para adentrarmos na era da sociedade dos androides. para isso talvez nos baste trocar ossos e carnes do corpo por peças de aço, parafusos e ferros, pois nossas ações já estão quase todas programadas como a de um robô ou computador. Temos atos já premeditados para qualquer situação, fazemos os mesmos gestos e trabalhos maquinalmente, não pensamos nem questionamos as ordens, por mais estapafúrdias que sejam. Vamos fazer um brinde então ao sistema desta adorável escala industrial humana, que produz imbecis em série, gerando um belo mercado onde se vende idiotas em liquidação nas lojas do comércio de egos. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Crença Nova

Talvez tudo que se forme seja aquilo que tememos
Não agimos por vontade própria nestes dias de formalismo moribundo
Somos máquinas coagidas pelo medo a vagar na rotina
Conduzidos pela inércia constante de um cotidiano subserviente
Transformados em produtos hermeticamente encaixados
Organizados em fileiras perfeitas a receber ordens
Buscas de outras coisas que não a si próprio
No eterno retorno da viragem de individuo em numeração
esquecido os passos cambaleantes em meio a multidão
Anestesiados por inúmeras químicas farmacêuticas
Para que sentir afinal de contas sensações estranhas
"Tudo fica pior ao toque de midas das emoções"
Assim Diria aquele ditador do controle remoto
Obedecer, servir e prestar contas a um ente superior
Nesta Maneira convivemos numa subordinação
Regidos aos temores do pecado descrito pelo pastor
Da cobrança  pela família a se tornar alguém
Pelo temor de desemprego nas entrelinhas da fala do chefe
Ao apego do véu das aparências na ostentação de ter e não ser
A Humanidade por fim criou uma nova religião para alienar
Que vem a calhar para que gosta do sádico controle da vontade alheia
O deus a quem todos se prostram e fazem reverencias é o MEDO.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Compulsões de maquinações

Relapsos de uma forma distante
Mas ecos de temores antigos
Voltam Do Passado constante
Um eterno retorno ao limbo

Angustias de proporções
Coisas referentes a chaga interna
Buscando refugio para maquinações
De pensamentos com obsessão incerta

De espelhos com reflexo total
Novamente vivendo com medo
Daquilo que passou afinal
A memória aterroriza a todo tempo

Outros tempos dos ventos
Coisas que por estas vias
Servem então a contento
De aprendizado e suas manias


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Eus Antecedentes

  Nada parece ser certo nestas aventuras sem emoção. acordar, levantar, ir trabalhar, faculdade ou tarefa obrigatória a se exercer para sobreviver nesta realidade do sistema.  Perante as ideias relapsas durante os dias de uma rotina cansativa, a sincronia de pensamentos esvaziados, que nascem do nada dando a lugar algum, parecem ser rotina não só minha mas de todos os viventes dessa realidade, tão cheia de intensidade e energia quanto o caminhar de uma tartaruga. Isto vai sendo rotina clássica nos andares vulgares, nas pequenas coisas espalhadas porém controladas do querer externo suprimindo o interno, o sufocamento das vontades é uma tortura subjetiva imperceptível acorrentada a uma silenciosa injeção de dormência, anestesiando o nosso eu frente as auto-proibições ou temores de julgamentos alheios de nosso fazer. 

  Estamos cercados por argumentações e indicações de como se portar, do que fazer, num ciclo constante e acachapante de excessos de deveres e responsabilidades, onde direitos ficam a margem. Excluídos pelo esquecimento induzido, lembranças das nossas paixões e aquilo que amamos fazer, ter e conviver, são relíquias guardadas pela memória em uma caixa ao qual  jogamos fora a chave que a tranca. Sabemos que estas existem, mas como abrir esta caixa sem causar danos a ela? fazer fissuras nela é dar possibilidades aos danos e perigos de buracos abertos que não podem fechar de maneira tranquila e eficiente. Existe também o próprio maleficio ao nos depararmos com estas memorias reveladas, segredos provavelmente escondidos ou suprimidos pelo fato de serem amargos, traumáticos a tal ponto que as lembranças precisaram ser levadas ao limbo devido ao tamanho da dor causada por ela. 

  Seria eu e tantos eus profundos reféns do velho saudosismo, reverenciando e fazendo juras de amor eterno e platônico a um passado glorificado, não por ser belo e reconfortante, mas em comparação ao presente é um porto seguro ao qual se remeter, vislumbrando o futuro incerto, ele é a certeza de que algo já fora bom um dia. Serei assim servo de exemplos indevidos, dos erros transformados, das belas mentiras, dores masoquistas. Passo o perfume mais sublime no cadáver do passado, jogando lixo num recém-nascido presente, atormentando a maturidade do futuro. Faço papel assim nestes termos, de teimoso pessimista amparado pela retórica da lei de Murphy, onde tudo tende a piorar em comparação ao que antecedeu as idas e vindas.

Minha meá-culpa não acrescenta talvez solução, já que mesmo reconhecendo os erros e falhas de meu caráter inconclusivo e vacilante, fico sem esboçar nenhuma reação a minha deprimente noção de realidade. Vou topando com murais, muros e grades repletos de cartazes dando publicidade as mais diversas ações: "tome isso, fume aquilo, beba mais, consuma, isto que é a vida, alegria em doses suaves". De nada isto adiantaria, pois ao fim das contas, o poeta estava com excesso de razão quando diz que não foi tudo aquilo que queria ser, das metas decaídas ou de vãs( ou vis) esperanças. De todo este extenso e cansativo texto, a conclusão que amar nada mais é que espécie de apego ao sofrimento e outras lamentações.

domingo, 25 de outubro de 2015

Passado Presente

"São coisas que não passamos a experimentar com frequência. talvez aquele sentimento puro fora de fato o primeiro dos que se sucederam. A falta que ele faz é de fato, a ausência que me move a uma busca que parece demonstrar em sua prática, uma utopia, um sonho de memória saudosa. Me apeguei  de tal forma as lembranças de um amor juvenil( sem os termos pejorativos que a palavra carrega). O que isso significa nem eu mesmo consigo compreender, mas eternamente fico a fazer comparações disto e daquilo com aqueles tempos passados, ficando acorrentado a emoções que é alimentada vorazmente pela minha memória. Sou escravo assim das lembranças, do que passou, de um passado prejudicial ao presente e sem perspectiva de futuro, e assim tendo a seguir minha sina de prisioneiro das lembranças, da saudade de um amor intenso em todos os sentidos, desde sua antiga felicidade até sua atual marca dolorosa. "

domingo, 30 de agosto de 2015

Subentende Você

Tudo não é nada
Mas fica subentendido a totalidade do nada
O nada é então tudo
Totalitário, abraça tudo no vazio

O vazio é convenção do ambiente
Totalidade do nada
Onde se fica a deriva
No mar da clareza do marasmo

Marasmo velho companheiro
Do tédio do cotidiano
Sobre a emoção perdida
Dos tempos distantes passados

Passado enclausurado de histórias
Lembranças saudosas e melancólicas
De vagar no ser, por, ter e não ter
Constantemente você

A Memória Trabalhosa Vida

Sobre a memória vive-se falsa parcialidade
O eu, aqui e agora sempre toma partido
Na rotina do nada em coisa nenhuma
Ideias fraturadas usuais

Em sua Pratica
Aporte para fugir do concreto
Sem causa ou ideal
Sigamos errando errantemente

Bicho estranho e contraditório esse humano
trabalha tanto para viver e sobreviver
Que quando se dá por si no leito de morte
Viveu toda a vida a trabalhar somente


domingo, 19 de julho de 2015

A Valsa do Tempo

Trato régio do tempo se expandindo
Das variantes de um passado
Um passado que não serve como exemplo
Na pedagogia da História
Não aprendi com velhos erros

Fazendo a repetição persistente
Nas Memórias deixadas como rastros
O cheiro antigo da solidão
É temor a se lidar
Viés inexistente parece ser o equilíbrio

Fato ou evidencia para futuro
Prognóstico ou previsão de tédio
Solitude melhor companhia
Do que aquele tinhoso cão
Chamado pela alcunha de amar

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Declaro Omitir...

Em que nada seja absoluto
Nem que o fato se torne diminuído
Acorrentado pelas amarras de um medo
O medo que vai derivar nas variações dos temores

Temendo a solidão no abandono de si
No ferir a quem se tem um certo afeto
Ausência de emoção reciproca
Nada de aprendizado ou pacificação
Apenas vida levada de arrasto

Sendo assim deste infortúnio presente
Nos acordes de nenhuma declaração
a expressão de tudo isto é oculta
Com a covardia de não agir
Minha liberdade por fim inexiste.