Ensaios

Crônicas de George

Poesia

domingo, 11 de agosto de 2013

Lições Do Velho Mestre



Mirar ao alvo certeiro de terceiros ocultados pelos fatos de outrora que agora se vislumbram frente aos olhos recém-abertos. Sua visão agora está iluminada pelos raios ardentes de crenças que a muito pensava estarem obsoletas, inviáveis e vencidas pelo tempo. Tempo este dono possessivo e ciumento das razões e certezas dos factoides da vida. Pelos meios expostos pelo proprietário da razão a sua vista, pode enfim dar vazão as compreensões das vontades até então indecifráveis que tinha sobre caminhos de afins e enfins palpáveis.

Não é segredo para nenhum ser pensante submetido ao planeta torto das ideias humanas, que nada mais paciente e consciente das eras que as horas determinam, do que a experiente velho sábio, seja este oculto ou revelado, é culto e cultuado pela clareza do intelecto esclarecido. Na concepção adquirida na experiência que somente os velhos possuem, faz deste o seu mestre, para com ele aprender lições e remédios eficazes para lidar destas enfermidades dos afetos indescritíveis que o acomete nas badaladas pontuais do relógio do seu ciclo de ardores.

Sua busca pelo auxilio do velho sábio nada mais é que clamar por esclarecimento destas meias-verdades que partem dos pensamentos seus e das palpitações da linguagem alheia. Embora se alienar das viscerais respostas do mestre pareçam ser mais confortáveis do que a lucidez incomoda das verdades proferidas da boca do sábio experiente, a ignorância da alienação é uma ilusão e sublime armadilha que a cegueira anestésica da estupidez acarreta, sendo demasiadamente dolorosa e sofrida para o espírito humano a dormência que o aflige na idiotice estúpida.

Neste aprendizado que agora se torna o norte de existência, expande aos poucos os planos da sua meta na epopeia descrita por autores de clássicas histórias. Rabiscando notas e descrições nos rodapés da própria trama, grifa cada momento presenciado e sentindo intensamente, não interferindo os resultados do processo. Pouco importa as noções de perfeição ou confecções dos atos, porque mesmo sendo erros de amores imperfeitos e incertos, são escritos eternos.

Vai definindo assim as ideias acerca do todo enraizado na origem dos seus sentimentos individuais,  por vezes convergindo com ideias do socialismo coletivo, ou por vezes em obsessões de um egoísmo selvagemente capitalista. Mesmo nestas vontades ideológicas que acomete e se intromete nas suas ações, a primeira lição aprendida com o seu velho mestre já foi assimilada por este ávido discípulo: a certeza de que quanto maior a sede do conhecer, menos iremos saber.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ditos Sobre Outra



No seu mundo recluso, tenta dar formas a coisas e ideias do que considera como verdades absolutas ou até mesmo devaneios ingênuos, tudo isto variando as formas, intensidade ou tempo. Certas maquinações de sua mente e paixões eram arrebatadoras e instantâneas, mas acabavam terminando no nada, já que afinal das contas começaram do mesmo modo. Sua aura inquieta e ansiosa contribui para estes arroubos emocionais suscetíveis e sucessivos, fazendo com que sempre tenda a se enveredar por estas vias de ardores um tanto quanto inconclusivos e inesperados, traçando em torno de si a velha noção de duas faces do mesmo rosto, travando batalhas entre o definhamento na saudosa melancolia e a alegre sensação de envolventes afetos.

Mas nestas idas e vindas de embates psicológicos e das emoções desenfreadas, sempre surge alguma possibilidade que foge a regra, confluindo na noção clássica de exceção ao modus operandi convencional. Nestes idos de enclausurar forçado por si mesmo graças ao endurecimento de certas noções de mundo, tinha permanecido de forma intransigentemente insensível às investidas do mundo externo em suas muralhas, mas na luta entre os ditados populares do populacho, “quando um não quer, dois não brigam” e” água mole e pedra dura, tanto bate até que fura”, este ultimo foi o vencedor da contenta.

E novamente ele se prostra a força das próprias vontades do sentir sentimental, arrebatado de modo voraz sobre os mesmos termos dos tratados e tratativas de casos aos acasos anteriores. Na inocência vai aos poucos acreditando ter alcançado a seus domínios um ser com os mesmos convergentes aspectos incrustados em seu interior, características típicas de alguém que sente em demasia hemorrágica.  Como de praxe, vai dando contornos as utopias de sua mente atribulada sem se importar no desenrolar deste processo, acaba nisto tudo ficando em estado de ausência corporal perdido no mundo das ideias.

Em conversas que vão ao encontro do que pensa sobre alguém com quem possa estar a dedicar-se de forma acalentadora e reconfortante a ambos, vai nestas ingenuidades dos tolos e alegres trovadores alimentando a máquina transformadora do seu mundo inconstante. Ela vai correspondendo de forma precisa todas as suas preces e desejos a respostas para as aflições morosas que o acomete e dilacera, nestes flagelos que ardem o peito e nos inquietam excessivamente a cabeça. Ignorando os prognósticos e recomendações por fracassos anteriores que naufragaram e o exilaram a auto-condenação, se joga a perseverar nesta busca pessoal sobre os meios do que julga conceber como meta ao fim dos seus dias.

Mansamente esboça reagir frente aos próprios temores no seu agir e na forma de como inteirar-se do que realmente está ao seu redor, ainda que isto lhe custe mover-se para fora da zona de conforto. Necessita disso para permanecer sobriamente vivo e contentar os pensamentos que edificou até aqui, passando por intempéries ou regozijo mundano. Possam parecer mera teimosia e ação de humanoide que adora esmurrar paredes sem nenhum sentido aparente, ao fundo como prescrito tenta corrigir as lacunas incertas do seu quebra-cabeça.

domingo, 4 de agosto de 2013

Insuficientabilidade



Insuficiência, do verbo insuficiente. Segundo o dicionário o verbo se define por Incompetente, Incapaz, função inadequada de um órgão ou sistema, a falta de algo, pouco. Pois bem, é o que de fato se passa pela cabeça nestes tempos em que se cobra muito, pede-se demais e não há mínima reciprocidade para aplacar necessidades humanas para se viver de modo decente e suficiente. Somos cobrados por resultados e a sermos algo que por vezes não queremos e nem podemos ser, determinando-nos a seguir por um caminho a força, presos em grilhões por uma mão invisível que condiciona a vida de acordo com os interesses daquilo que por ventura seja a melhor moeda de troca para terceiros.

Então este personagem ao qual relato aqui assume este papel da incapacidade da sua insuficientabilidade dos seus toscos atos. Retraído nestas sarjetas da apreensão existencial, nada via em si com uma boa perspectiva ou com capacidade de gerar ou criar algo em que se tivesse proveito, teme até mesmo fazer figuração de paisagem, pois sua posição e composição pensa ele, tende a desfigurar e obstruir a beleza de qualquer quadro. Sua presença na vida dos que se fazem presente em seu ambiente é um fardo, peso morto, credita sua aura no viver destes como um desenho de Picasso num quadro de Van Gogh, desproporcional, incomodativo, tenebroso e grotescamente fora do contexto.

A capacidade para cativar alguém ou gerar o mais humilde dos amores é algo desconhecido a seu ser, tal capacidade (se é que realmente um dia teve) desconhece ou lhe foi negada por motivos que apenas a força que rege o universo saiba explicar nos mínimos e minuciosos detalhes. É limitado a cada ação pensada, pois no fim não age, pois piamente crê que jamais conseguira o que tem como vontade de suas maquinações e emoções peculiares as taxando como as mais onipotentes e magnificas das causas perdidas. Chega a ser uma ironia cruel consigo mesmo, ele que tanto preza por manter-se sempre disposto a batalhar pelas ideias, já as considera como derrotadas antes mesmo destas irem às claras e serem expostas aos seus receptores.

Vai se perdendo nos próprios passos bem das contas, já que ao que parece a ele todos os caminhos oferecidos tornam-se labirintos que o encerram numa prisão cheia de trilhas mas sem uma saída. Assim como o Minotauro de Creta da lenda grega, é apenas um monstro escondido do resto dos homens esperando o dia que um herói mequetrefe e sem sal o aborde e abra seu ventre a fio de espada, para sair do confronto vencendo um desgraçado previamente derrotado pela ocasião a ele destinada. É nisso que credita ser seu fim, apenas a escada da glória para mais um passante da multidão em busca de se vangloriar sobre a carne seca, ou satisfazer seu ego perante a destruição do semelhante agonizando sobre o tudo e o nada.

Consumindo as próprias prevaricações e remoendo aguas passadas que contraditoriamente movem seus moinhos de vento, vai se entregando a definhar absorvido no remorso. Nada mais pede a não ser uma finalidade digna para suas abstratas capacidades enquanto sentimentalista ingênuo. Seu idealismo agora já é trágico e traça paralelos entre o amargor de ter deixado o cavalo passar encilhado e ao mesmo tempo ter usado munição demais em determinados empreendimentos de sua vontade. Ao final do dia já está extenuado por tantas lamentosas observações, por fim retira sua máscara de personagem risonho para finalmente descansar sua face atribulada ao vento, e após tantos dissabores da rotina terminal, encerra-se dentro de seu reduto a salvo dos outros.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Afagos Perdidos



Rotina dos últimos tempos, abraçar com uma firmeza tremenda as anestesias que somente o álcool ou qualquer outro vicio traz. É seu alivio da frieza do seu cotidiano, fraco demais para encarar novamente a realidade dos traços e carregando um fardo de saber exatamente a mediocridade de sua condição, que por fim se entregou a deriva de alívios corporais para libertar o próprio pensamento da tortura que é enxergar com clareza sua situação medíocre e insossa. A perspectiva do quadro atual para ele nada tem de melhora acha, por terrores do presente e temores do futuro.

Vive pelo passado desde então, a única vertente de sua vida ao qual  na memoria tenha vivido algo plenamente bom. Sem perspectiva pelo que vem, já abandonou metas ou planos de esperança, tendo se tornado um cético sem nenhuma fé, uma critica voraz da ingenuidade que a maioria tem sobre os sonhos, jogou fora todas suas utopias e desejos, pois até este momento credita no ato de nascer o fatal erro de sua alma. Pôs se então a contar o correr do tempo, esperando a esmo as horas passarem a troco de nada, ansiando por algum evento derradeiro que resultasse em outra dimensão, para ele está aqui já deu o que tinha que dar no tilintar dos sinos.

Julga ser insuficiente para qualquer ação, ato, ou afeto dos semelhantes nem tanto iguais a suas aspirações. Crê piamente que suas medidas e histórico afasta qualquer aproximação contumaz, realmente verdadeira por parte dos alheios humanoides carcomidos que o rodeiam e tantas vezes o atormentam e julgam com pesos excessivos e repressivos. Como marionete, era jogado e controlado por alguém acima de sua condição como bem entendesse, trocado de mão em mão a cada peça encenada, um simbólico personagem secundário em qualquer história, o figurante de cenário perfeito para evitar a distração sobre o destino final do enredo. Sua trama pessoal de nada importava, ia perambulando de sarjeta a sarjeta mendigando afagos como um cão sem dono e patrimônio.

Tudo lhe tem um ar de formalidade burocrática e isenta de o mínimo de emocional nos projetos que o envolve. Não por sua causa no final das contas, mas porque todos evitavam esta abordagem consigo e por mais que tentasse buscar respostas concretas para essa questão, afundava-se em um lamaçal de incertas perguntas de respostas dúbias e relativas. Com seu caráter intempestivamente saudosista, suspirava e tinha um único sonho para a vida: que algum milagre divino ou inventividade da ciência concebe-se a ele uma volta no tempo, recuperar o tempo perdido ou apenas reviver idos de momentos de uma saudade tão intensa que se perdia em devaneios somente ao pensar na hipótese de uma máquina do tempo.

Mas sabendo da impossibilidade de algo miraculoso destes realmente acontecer, volvendo novamente a se absorver nas próprias divagações lamuriosas. Sua ideia sempre se concentra na busca para a conclusão de tamanha mediocridade de seu ser, suas falhas grotescas e o porquê da indiferença ao qual estava sendo submetido pelos outros. Fica escondido, observando pela fresta da vida os passantes que por ventura se vislumbrem perto de seu território, e em seus domínios fica se aliviando, em paginas e fotos amareladas pelos tempos passados.