Ensaios

Poesia

domingo, 15 de julho de 2012

O Passado E As Chagas


Tenho a impressão que meu passado se torna, freqüentemente, os grilhões que me prendem , cerceando minha liberdade, minhas idéias para poder viver o presente da forma que ele se apresenta. As amarras do passado me tornam um escravo em uma senzala, sendo apenas uma mão-de-obra sem nenhum direito perante o passado, que me fustiga incessantemente como um sádico se divertindo com sua impotente vitima.
De Fato, o passado quando assume esta forma, é o famoso peso do mundo, a consciência do pecado, a culpabilidade do remorso que se torna um poltergeist atormentador e funesto, mostrando e deixando mais profundas e dolorosas as chagas que me corromperam a alma. Geralmente ele vem bater a nossa porta quando menos esperamos e nos momentos de maior sensibilidade e confusão (seja elas emocionais, psicológicas ou físicas) cobrando uma divida que na maioria dos casos já pagamos e não temos mais disposição para tentar sequer encara-las e corrigir estes erros que cometemos (ou erros que cometeram com a nossa pessoa). Ai bate a velha questão de como fazer para reparar algo que já passou, pois afinal, viagens no tempo ainda não foram disponibilizadas na nossa dimensão física, ai o que nos sobra das migalhas das batalhas perdidas do passado que tenhamos possibilidade para resolver¿ uma pergunta com diversas formas de resposta, mas que talvez leve a apenas um caminho, ou melhor, uma palavra que ao longo da existência humana sempre se fez presente e é o que diferencia em muitos aspectos, a grandeza de caráter do homem enquanto ser social, pensante, racional, emotivo e animal: o perdão.
O perdão é uma das ações mais dignas que podemos ter em relação ao que foi feito, dito, escrito, transversado e atuado em determinada situação. O Simples ato de ser piedoso é uma atitude completamente diferente da casual e deprimente lei do talião, olho por olho dente por dente, o velho maniqueísmo do pau que bate em Chico da em Francisco, em suma, este ode saudosismo a animalesca irracionalidade humana que sempre está presente ( o homem como lobo do homem). A atitude de perdoar o outro é algo complicado de se tomar, mas é um dos sentimentos mais libertadores que podemos ter, pois conseguimos finalmente passar um solvente sobre o que aconteceu e passar por cima disso de uma forma extremamente sincera e oportuna.
Mas perdoar a si mesmo é muito mais difícil. Ter noção do seu erro e se perdoar por ter cometido é uma das ações que mais se leva tempo a tomarmos. Conseguir se perdoar é romper os grilhões que nos prendem ao passado de uma vez por todas e conseguirmos estarmos prontos em cientes que uma etapa finalmente foi vencida e que agora deve-se preparar para os acontecimentos e eventos,vivenciá-los como realmente ele é, o que é importante no momento, o presente.


 “De todas as coisas que me arrependo, uma delas é não ter lhe detalhado como tua simples presença me tirou dos arcabouços da penúria da solidão”   

Um comentário: