Ensaios

Poesia

terça-feira, 20 de maio de 2014

Eles que nada sabem George

 George como sempre não entende muito bem as circunstancias de muitas atitudes de seus semelhantes, que acabam virando noticia e destaque de boa parte da mídia. Embora compreenda a ânsia dos veículos de comunicação em verter sangue pelas palavras dos textos das matérias publicadas, pois era desta forma que conseguem boa parte de sua audiência e dinheiro dos contratos publicitários, afinal, a foto de uma grande tragédia nas paginas de um jornal sempre tem ao seu lado a propaganda contando as vantagens que o consumidor terá ao adquirir um novo modelo de automóvel do ano.

 - Como me entristeço com esta morbidez do grande público. Aparentemente a massa tem uma necessidade visceral e sádica de ter conhecimento e visualizar acontecimentos nefastos e horríveis. O ditado "corre mais rápido que noticia ruim" é tremendamente certo, todos param seus afazeres para saber como é a melhor forma de amordaçar um menor infrator em um poste de luz, pois meliante bom é meliante atado pelos pés com um nó cego, já diria o senhor saudoso dos tempos da ditadura.

  Mais do que mero sadismo, bem tem conhecimento o infortunado rapaz que alguns por problemas psiquiátricos padecem deste êxtase ao presenciar cada gota de sangue derramada do frágil corpo dos afligidos pela pobreza, pois estes a eles tem essa missão na terra. Já classe media alta na capa de jornal sofrendo é pecado mortal, necessitando passeata pela paz com todos de branco, cena de novela emocionante da morte em pleno Leblon e abaixo-assinado pedindo a diminuição da maioridade penal. É esta a faceta que George não compreende deste desregramento estranho do pensamento coletivo:

  - A morte de 10 moradores da favela da Maré chacinados pela PM na "pacificação" é acidente ou fatalidade do combate ao crime, agora um viciado em crack assaltando para sustentar seu vicio merece a pena de morte. Duro ter que admitir, Pobre morrendo violentamente é rotina corriqueira das estatísticas que temos que nos conformar, rico baleado é tragédia e infração dos direitos humanos primordiais. Nem mesmo a morte escapa do senso-comum imbecil.
  
  George não se conforma com este caráter nada bom de nossa dimensão do viver. Ainda bem, pois parece existir outros como ele, que contestam este olhar de propensão a violência como espetáculo e diversão do grande publico. Desde os primórdios da humanidade o Pão e circo usa como molho e recheio o sangue daqueles a margem, o prazer de rir do mesmo destino que é o seu, ser transformado em carne moída no moedor do teatro da violência, o inocente útil que nada sabe.

sábado, 17 de maio de 2014

Consumado está

É volver aos momentos de outrora
Antiga oportunidade de um viver
disputado pelos termos sem volta
Perdendo-me em si por não te ter

Vasto pensamento da profunda melancolia
Nada flui fazendo o minimo sentido
Das coisas do querer por terra jazia
Um flagelo que guardo comigo

Terra arrasada seria boa definição
Para o que resta de meu espirito perturbado
Esta lembrança de amor gerador da desolação
Rancor e dor tornam-se fato consumado

domingo, 11 de maio de 2014

Medo e suas crias

 Poderia aqui, na pratica da escrita descrever e discorrer sobre emoções comum a todo ser vivente nesta era ,na grande propensão a tendencias comportamentais robóticas e automáticas. Tanto vai fazendo meu obtuso eu cansar-se de formalismo, repartições burocráticas que vão tomando forma de um enorme monstro, com seus tentáculos asfixiando cada devaneio de expectativa remota. Algo fora carregado pelo cortejo do destino ultrajante, levado em meio a multidão seduzida pelos venenos do conformismo, ou em sua maioria, acossada pelos terrores caracterizados do pensamento humano.

 Ficar aqui falando e dando cansaço verbal e literário a sentimentos seria tranquilo, mas talvez desonesto caso queira ser personificado como escritor ou até mesmo como um cronista de divisão inferior. Pegando a ideia que temos concebida como amor, conseguiria dar emocionante relato sobre alguma falsa realidade do encontro visceral entre duas almas gêmeas puras e eternas, mas estaria sendo um hipócrita canalha. Que sei eu da ideologia do amor?qualquer opinião minha em relação a este desconhecido sentimento denotado como o maior da criação universal soaria como discurso de algum politico demagogo fazendo suas promessas vazias. 

 Mas não sou ser de comportamento pragmático de uma maquina, certos sentimentos carrego por conhecimento empírico. experimentado e vivenciado em toda sua totalidade. Sou velho conhecido e conhecedor do MEDO, esta sensação mãe das aflições e desconfortos do homem, a primeira emoção a fugir da caixa de pandora e espalhar-se pelo globo. Não tenho certeza, mas a probabilidade de amor e medo terem mesma origem criatória muito plausível, pois aqueles que tentam converter os aterrorizados em apaixonados confirmam a mesma intensidade para ambos sentimentos.

 Não sei verdadeiramente nortear agora sobre amor e outras dores, tenho é as certezas do concretismo da temeridade. Medo no prosseguimento de planos, medo nos agires frente a pequenos desvios no caminho, em suma, vou sendo agente corrompido do medo e de suas crias terror e aflição. Percorro os angustiantes caminhos de silenciosos corredores de um viver sem perspectiva, ao lado de velho companheiro de estrada de nome desespero.

 Pelo que adentra meus pensamentos e sai de conclusão sobre ideias na excessiva lucidez, é provável que o senhor medo seja arma de auto-defesa contra a loucura do real. Ser lucido e ter as verdades reais frente aos olhos nos leva ao estado de desatino total, nisso fazendo a opção imbecilidade da ignorância pratica solução para este mal. Segundo o mito grego o sentimento chamado esperança acabou saindo também da caixa de Pandora, embora eu não sei muito o que descrever sobre a mesma, ela deve ter conseguido mesmo a liberdade  de sua prisão, pois ainda persisto ficar de prosa e verso sem nenhum sentido.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pensar de pesares

Em certos momentos de pensamento
O ideal para as ideias é a ausência deste
Pensar por determinado viés acarreta sofrimento
Sem intenção somos geradores da loucura na mente

Raptos de vontades do eu pesaroso
Geração de desconforto pelos sentidos
Tenho meus demônios num pesadelo indecoroso
Assombrando o cotidiano rotineiro e cansativo

Por acasos de estranha natureza
Nos paradigmas anseio qualquer coisa
Vacina, fuga ou divina maneira
Ter reconforto de outono ao cair das folhas

sábado, 3 de maio de 2014

Intolerável obsceno

O que me cerca parece um eterno quadrado hermeticamente fechado em si, e dentro deste ocorre uma rotina cansativa das mesmices de alfinetantes desconfortos. Ficar inserido na alienação do espaço reservado e acabar por ausentar-se de tudo que rodeia o incerto elemento do meu eu difuso pelos quatro tempos das estações. Nas horas de raciocínio confuso e perturbador, meus desencontros comigo são praxe dos viveres, traço sintomático de pratica obscena num emocional impacientemente tolerável.

Verão é abrasivo, com contornos de um forno sufocando as vontades na queima em fogo alto dos desejos que derretem aos olhos vistos como miragem para o louco no deserto. Sufocando no calor de sentimentos resistentes aos calores da estação, nada nesta época parece ter força para apagar o incêndio amargurado, que se expande pelos poros mentais e físicos de ser consumido pelo ardor das intermitências nos levantes de um passado abafado nas altas temperaturas do remorso.

Outono vem com o amargo frescor dos ventos cardeais, dando a direção ao nada insólito e taciturno. No cair das folhas o que acaba prostrado ao chão são meus quereres, sem as forças necessárias para a redenção de dar-se o próprio perdão. Assim sendo o outono se torna antessala do veredicto final do julgamento impiedoso de si por si mesmo, no lento escurecer que vai delineando cada vez mais cedo nas batidas dos ponteiros do relógio da alma. Vou fazendo inúmeros papéis na mesma cena jurídica: réu, promotor e juiz da própria sentença.

O Inverno chega com a força da tempestade gelada, o frio impessoal do formalismo ausente de quaisquer sentir por si mesmo ou ao outrem. Já condenado ao desolamento, às ideias neste período são turvas e incertas, permeadas pelos temores das experiências antigas marcadas a ferro e fogo como registro da culpa de crime proscrito. A reclusão do inverno tem ao menos o fator de isolar-se para a criação, no uso do medo como catarse criativa visando uma cura a essa enfermidade crônica chamada amor indiferente.


Por fim eis que chegam à redenção da primavera e seu suposto florescer de novas concepções, vontades e ideias seguras sobre o todo. É o processo de reformulação das próprias concepções da eterna característica de profunda, enorme e ansiosa cabeça acerca das indefinições caídas por terra ao elaborar outras rotas de colisão para os nervos de emocional atribulado. Sendo estação da boa safra madura, é o cuidado na colheita para não extrair-me novamente no quadrado transformado em hectare, raiz e frutos já corroídos pelos agrotóxicos usados como veneno tratado como adubo de outras e inéditas sentimentalidades.