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Crônicas de George

Poesia

quarta-feira, 22 de maio de 2013

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 Parece que finalmente no frigir dos momentos, o pensar demais lhe causou uma iluminação realmente positiva. O excesso de pensamentos que tinha quase sempre o importunava em demasia, transbordando seu ser em divagações melancólicas, negativistas, obscuras e obtusas, retocadas por uma sobriedade bucólica assombrosa, levando-se em fraquejo das vontades, prostrando-o a impotente figura derrotista. Tudo isso era o costume de seu viver, sobrevirá dai suas doses diárias das quimeras moribundas onde constava a extrema-unção dos sonhos almejados, praticamente um caso consumado.

O preço cobrado pelas absorções que adorava ter de conhecimento era de fato inglório. Na conversão desta em sabedoria, acarretava na infeliz convergência para uma veia reflexiva, dando certo caráter introspectivo ao seu cerne e o moldando a volta com tormentas sobre a própria incapacidade de reagir frente ao que se apresentava a sua frente, desesperava com sua impossibilidade de mudar radicalmente as coisas, dar a realidade outra perspectiva. Deparava-se então com um paradoxo do ser social, constatou a necessidade urgente de humanizar os humanos.

Cansado destas verborragias que aos quatro cantos se disseminavam nos discursos demagógicos acerca dos aspectos humanistas, os causos sobre amor, politica, espiritualidade já não o apeteciam mais. Estes rumos que arquitetavam os ciclos de viver e viveres de homens necessitavam serem podados de forma ríspida e precisa. Ai veio a sua iluminação dos fatos, apoderou-se das rédeas opulentas da ordem sistemática, forjou nas fornalhas de suas virtudes, o martelo com o qual rompeu as correntes que o prendiam à letargia do conformismo sobre a função de si e da vigência dos ciclos.

Nos relatos e prospectos sobre a carga gloriosa de lucidez que acabava de conceber, pode por fim regurgitar para fora todos os infortúnios que a muito entalavam e obstruíam o respiro e suspiros de sua natureza conflituosamente serena. Ao extravasar os próprios temores e aflições, foi de certa maneira, o ápice interno para a compreensão pessoal do modo como encarava e enxergava o “modus operandi” da vida, seu comportamento de internalizar o desconforto e as agruras era o que minava sua existência plena. Por seu comportamento brando em certas ocasiões, pagava o preço de brotar as dores alheias na sua raiz própria, martirizava as causas perdidas de outrem.

Dessa maneira, deu voz e razão ao aliviar-se das intempéries nocivas ao seu estado de abrandamento sofista, no regozijo que só o esclarecimento das situações as quais nos submetemos acarreta. Perseverou na empreitada dos raciocínios claros e abrangentes, estava satisfeito com as conclusões que acabou tendo como resultado da claridade por ter jogado luzes a ribalta dos desconfortos próprios. Um Fardo a menos tinha terminado, deixou este esvair-se na força do tempo, tempo que por mais corriqueiro e de senso comum, é na maioria inexorável das vezes, o melhor antidoto para certas chagas.

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