Ensaios

Poesia

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Exilio



De tempos em tempos, afastava-se do convívio socializado, que tanto o atormentava das mais variadas formas, em aspectos mínimos ou máximos, levando a prantos raivosos, nas torpes e morosas indiferenças egocêntricas, estas que se aconchegaram comodamente na fisiologia humanoide, nestes momentos inglórios das grotescas cruzadas da história. Pensava por alto a si próprio as causas dos fins que o motivava a retirar-se da convivência dos seus iguais, justamente por perceber certas diferenças acachapantes entre ele e aqueles do meio ao qual estava inserido, na lógica perversa de hábitos viciosos.

Muito de si necessitava deste exílio voluntário, esquecer-se além das ideias pré-concebidas, na veia aberta em sentido lógico, difundir-se novamente ao absorver e deixar-se envolver por fluxos catárticos de ideais e emoções para manter novas concepções ao tudo e a todo. Nada de repetições do tédio mortal das rotinas desgastadas por nocivas convenções, reinventar nos ócios criativos da reflexão a partir da solidão, dar luzes a vivaz mente na quietude do silêncio, apaziguar a ansiedade hiperativa dos pensamentos, conceber após maquinar os raciocínios internos em novos achados por velhos caminhos.

Nada de termos surrados utilizados levianamente em linguagens usuais, taxar ideias como vis ou belas, enredos em densos ou rasos, transformar personagens em vilões sádicos ou nos divinos heróis, não é de certa forma pensamento dos idealistas e sonhadores, mas sim de realistas amargos extremados, onde tudo deve se ter uma oposição combativa e total, certas dualidades de sensações que agora já não contemplam as honestidades da vida, este caminhar dos novos rumos estavam fartos de pontos de exclusão precisamente cirúrgicos. Por fim a isso, convergir para o bem comum, tolerar as diferenças para igualizar direitos de viver, ter e ser.

Apesar destas razões portentosas, era acima de tudo, a memória dela que gerava a necessidade de recorrer à imensidão do deserto para esquecer momentaneamente dos traços suaves e marcantes que a partir dela emanava nos seus pensamentos, embaralhando subitamente o cérebro. No exilio acabava por esquecer-se das harmonias da face de sua alma, abolir mesmo que por ríspidos instantes, o som das promessas quebradas aos cínicos moldes de jogos de amor. A fuga do tabuleiro era plena nestes retiramentos além do nada, processando estas andanças numa espécie de libertação atemporal das chagas acalentadoras e dos venenos recorrentes a trágicos viventes.

Ancorado pela anestesia atestada nos homens exilados, a volta anistiada ao seu ambiente causava sempre a ele a parcimônia da estabilidade, a sabedoria da experiência mesmo que por vezes estas sejam duras. Confortava nestas plenitudes com vigor, outra vez tinha-se exaurido nas aflições e nestas aporrinhações das escaramuças com as lembranças dos designíos de afetos quebrantados, recompôs a sanidade pelo caminho do meio.

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