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Poesia

domingo, 1 de setembro de 2013

"Ismos" , Fatores Determinantes



Fico me perguntando ultimamente por que afinal das contas tentamos tanto dar valor e uma importância às palavras com a terminação “Ismo”, mesmo elas tendo dimensão e contexto essencial para os primórdios da formação humana, frisam a necessidade desmedida que temos de sempre sistematizar as coisas e determinar o que ela é a partir de generalizações típicas e na maioria das vezes de um preconceito que concebemos da ideia a partir do “Ismo” de sua terminação. Sem duvida a sistematização e conceituar uma ideia ou pensamento são um bom método de aprendermos sobre o mesmo de maneira mais eficaz, porém, esta formatação que damos para aplicarmos sistematicamente a ideia que assimilamos, tem se tornado certa mania repetitiva de aplicar soluções errôneas e ineficazes para problemas similares que as sociedades humanas como um todo ao longo da história tem cometido.

Sejam teorias econômicas, matemáticas, sociais, artísticas ou de qualquer ciência que o homem criou, a partir do momento em que foi formando atividades cerebrais ligadas ao pensar, que o primeiro de nossa espécie fez seu cerebelo pensar e refletir sobre o que o rodeia  enveredando-se c a buscar o conhecimento ou uma tentativa de saber a essência das coisas tal como as são, criando a necessidade insaciável pelo conhecimento e numa forma de explorarmos da maneira mais eficaz o que temos edificado como conhecimento verdadeiro e mais adequado ao modo de vida estabelecido pelos padrões e contextos históricos do grupo ao qual estamos ligados pelos laços culturais, sociais, econômicos, comportamentais e afetivos. Desde os primeiros pensadores e filósofos antigos, parece-me que praticamente todos acabam por derivar suas teorias e pensamentos sobre o homem e sua vida e na forma como ela ocorre justificando esta por traços da cultura, social, da economia ou de comportamento, sendo os determinantes e fatores que irão corresponder aos afetos humanos, relegando a afetividade e as paixões humanas ao segundo plano, como sendo consequência e não causa, e talvez seja isso o grande problema das maiorias das teorias sobre a explicação do agir da humanidade.

Sobreviver e buscar subsistir se formos sintetizar a grosso modo, depende exclusivamente de se alimentar e manter-se vivo como qualquer animal, ou seja, para vivermos não precisamos de um sistema ao qual devemos nos encaixar ou se enquadrar para existir. A formação da comunidade humana não se deve a necessidade de algum fator ter desembocado o surgimento de uma suposta sociedade, ou necessidades de estabelecer uma determinada economia ou cultura comportamental para coexistirmos entre si, mas sim por uma questão de emoções, uma causa sentimental humana. Foi a partir da importância que começamos a dar aos nossos iguais que se fez a necessidade de um convívio em sociedade, com seu sistema social, econômico e cultural específicos a cada grupo humano, a partir dos pensamentos surgidos para lidar com o ambiente ao qual se está inserido. Somos produto de sentimentos e emoções de empatia pelo semelhante, a origem da humanidade como grupo especifico está no inicio de dois conceitos sentimentais: o amor e a amizade.

O que se observa porem nos últimos 300 anos de existência do homem em sua coletividade é um avanço da formalização emocional, sistematização de ideias e sensações através de doutrinação ideológica das mais diversas, dando esta como justificativa para um melhoramento da sociedade. A verdade é que viver um período de tempo maior não significa ter vivido melhor que seu ancestral de 10.000 anos atrás. As pessoas desde o inicio de uma industrialização das características de vida do homem, acarretaram em formatar minuciosamente o que se deve sentir, gostar, se afeiçoar, estabelecendo as condições de como devemos viver a partir da ideia da terminação de qualquer "Ismo" ao qual estamos submetidos. Por mais que muitos tentem dar uma solução eficaz, aplicável a sistemáticos modos de vida, todas parecem estar submetidas a uma mecanização sistemática dos afetos humanos. A obviedade de determinar o ambiente a partir dos afetos é clara, porém creio que isso seja tão certo que a humanidade durante eras vê com ceticismo a noção de que tudo foi gerado a partir do sentir de um afeto, e optou por outros meios para justificar o sentido norteador de sua existência.

A conclusão de tudo isso é a percepção que se tem de que cada vez mais a um distanciamento e medo de se afeiçoar ao outro, por medo que estes acabem afetando negativamente os outros aspectos que formam nosso convívio. É desolador o quadro instaurado nos últimos tempos, já que as pessoas temem e evitam ao máximo demonstrar o que realmente sentem como se isto fosse uma doença maligna e incurável, uma espécie de incomodo para a vida. Mostrar-se intenso, ser carregado de emoção e gostar de amar, seja ele de qualquer espécie, variação ou concepção para a grande parte das pessoas, é uma asneira ou mera distração desnecessária. Nesta desventura proporcionada pelos “Ismos”, quando algum deles expõe alguma teoria para se aplicar como modelo de humanidade melhor, cada vez mais no afastamos realmente dela.

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