Ensaios

Poesia

sábado, 9 de março de 2013

A Esperar

Eis que nada anseio, em latentes contemplações entro em estado anestésico, nada de prantos, afagos, aconchegos ou qualquer sentimento derivado de um belo ideal shakespeariano. Apenas espero a hora gloriosa, em que algo aconteça nestes vãos intermitentes em rasos pensamentos, sobre acontecimentos do futuro preteritamente imperfeito, dando asas aos objetos divinizados por ideais um tanto quanto utópicos, praticamente sonhos aos quais busco desesperadamente serem postos a pratica, trazer a tona toda uma nova concepção do eu, o todo, o nada, o ser. O algo além-mais do que jogos de palavras desconexas e frágeis, um tigre de papel rugindo absurdos aos quais jamais fará ou postar em prática, evidenciando o quanto humano, demasiadamente humano e inconstante é o estado ao qual me acomete o vazio denso e do marasmo gerado nele.

Voraz sensação perde-me em lembranças tórridas as quais fazem vir à tona sensações melancolicamente saudosas, em que a saudade toma todo o movimento de meu universo, unicamente por assim dizer, prender-me em um divertida lembrança dos sofrimentos passados, presentes e futuros. Neles cabe um deleite sadicamente prazeroso, levando a um êxtase permanente em que vou perdendo as rédeas dos passos um tanto quanto pesados, rudemente fortes o bastante para gerar desequilíbrios de um sistema nada funcional. Por assim e sem mais demandas, ele vai nutrindo a si próprio em loucuras singularmente racionais, nos medos plausíveis do fracasso eminente.

Ao todo descrevo nas paradoxais contradições de uma ansiedade naturalmente criativa, por ventura se desenrola as percepções do que ocorre a volta, em que ciclicamente alguns vícios de viver evidenciam-se por vezes em manias teimosas feito asno empacado a beira da via, sendo o atraso dos caminhos aos quais devo tomar. Força-me a atalhos negros e suspeitos, em que nada está evidenciado ou com algum motivo aparente, materializasse como uma força motriz das vontades mundana, a ser o rastro que devo seguir em meio a escuridão, um farol em meio a tormenta.

Ainda ingenuamente, fico aqui em meio ao vazio gritante, esperando o que por fim irá trazer-me o conforto da serenidade inconstante, trazer a paz descrita por fazer-me sair do sério, na objetividade de uma sutil provocação para chamar a atenção para os acasos de casos tolos, somente para prender-me em um novo mundo, ao qual o centro de todas as atividades seja de fato, o encontro das vontades, uma fusão de ideias, concepções e emoções compartilhadas num puro ato sincronizado, por forças além-compreendidas pela crédula humanidade. Enfim, Uma Vida toda a esperar por um sentimento.

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