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Crônicas de George

Poesia

quinta-feira, 28 de março de 2013

Uma História Destas



Ainda se encontrava lá, entravado nas próprias divagações tortas e sem sentido. A esmo tentava buscar a compreensão para sua própria tormenta, pois nada arrefecia sua inquietação, muito menos conseguia conforma-lo sobre o porquê de toda esta chaga ter se aberto em seu dorso, com a profundidade das intermináveis abominações de sua instável mente, adentrando em campos de martírio. Buscando algo perdido em certo ponto, por razões indistintas e alheias a suas vontades e desejos, ao todo vai se tornando um escravo do senhor do sofrimento.

Nada aparentava conforta-lo, absorvido intensamente na sensação amarga de estar preso a sentimentos obtusos, sem nenhum sentido ou razão para crer na plena idealização de um ser, que efetivamente apenas foi existindo em seus pensamentos idílicos. Tentou concretizar a materialização de sua mais duradoura utopia, em que está acorrentado aos pesados grilhões, nas toneladas de emoções entrelaçadas nos vãos ainda abertos no seu peito, castigado por intempestivas guerras e ingênuas causas perdidas, na crença sobre o apaziguamento eterno e  sua realização na dimensão exata ao qual sempre lutou e acreditou piamente.

Ele Tornou-se refém da duvida, marcando as ações de maneira diversa e de medidas extremas dentro de si. Confusão tomou conta inteiramente do cotidiano, nada mais bastava ou conseguia contenta-lo, tudo se tornou desgostoso, sem um sentido norteador, a bussola que determinava o caminho acabou se partindo em meio aos choques da realidade. Ela se foi com tudo aquilo que de fato a principio importava para ele: a vivacidade, o olhar penetrante, o conforto de seus braços, o calor de suas profusas palavras. A sua partida foi o grande determinante, exaurindo dele toda a vontade de simplesmente abrir os olhos após o sono, em que os sonhos transformaram-se melancolicamente nas estocadas de agulha na alma quando traduzidos para a realidade.

Então nada mais o acometia, nem mesmo o mais frouxo riso, o sistema todo entrou em declínio, na decadência evidente no seu estado aos olhos vistos. Em seu velho conto a tragédia de Shakespeare poderia fazer sentido, embora Freud não explicasse seus atos e conduta , toda sua revolta e tormento seria a grandiosa obra de Kafka que jamais fora terminada, sequer mesmo escrita, seus amores foram perdidos ao vento quando saíram dos lábios dela, a maquiavélica ilusão brotada de uma falsa promessa, embalada na caixa de pandora do veneno que gotejava e esvaia sua vitalidade aos poucos.

Eis que então ele se encontra agora ali, na deformidade da indiferença dos passos alheios, lhe restou apenas agora, observar os momentos e nuances dos dias. É fácil encontra-lo ainda por ai, analisando minuciosamente cada ida e vinda, numa disfarçada ansiedade, aguardando outra chegar para enfim, abordar e por fim na dormência que está inserido ferozmente. Embora a principio possa parecer uma besta ingenuidade de sua parte, ele aguarda esta outra, em meio a sensações de velhos medos, questões repetidas e novos ardores.

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