Ensaios

Poesia

sábado, 23 de março de 2013

Invariável



As voltas com assuntos desgostosos em todos os aspectos desmembrados por meu cérebro irrequieto, buscando termos e condições para recompor em partes meu quebra-cabeça do mundo das ideias, e conecta-lo sem mais delongas e tormentas ao mundo das sombras tranquilas, no mar de sentimentos precisos e claramente compostos de uma aura radiante, em que toda a gama de esperança floresça, acabando por tomar a forma dos idílicos devaneios de um ser desassossegado, ao passo que nem mesmo este sabe o motivo da sua própria inquietude dentro de si.

Espasmos da memória são vultos do passado que por vezes se apresentam como assombrações no presente, num processo incomodo de assimilar os erros cometidos e toma-los como lição para cada passo dado. O aprendizado não é algo suave e doce, é reviver amargas sensações, momentos aterradores do viver, em uma espécie de autoflagelo, como pena da culpa de faltas e crimes cometidos nas aguas passadas e perpassadas pelo moinho, estas que por vezes são tão sujas e contaminadas que seu uso é em certa medida, um veneno para a alma.

Por causas e termos vistos, revistos e assumidos, atrelo-me a elos de correntes em que os pensamentos precisos se enredam a concepções insanas, na mortífera ideia de voltar com um velho plano gasto e fadadas ao fracasso, batendo na mesma tecla, dando o gasto acorde do desafinado tom da via, na falsa ideia de estar retomando outro caminho, um novo momento. Entretanto isto não passa apenas de uma tentativa fúnebre da reforma de algo sem condições de estar em pé, pois o alicerce está invariavelmente condenado.

Neste terreno acidentado e íngreme, a fertilidade em variáveis de inúmeras respostas ao mesmo questionamento é gritante, mas a escolha em qualquer destas vai se tornando a decisão de depositar todos os créditos em uma nova epopeia, sem previsão exata de concretização dos desenhos almejados, novamente insere-se velhos novos amores e os já conhecidos espasmos de duvidas dos riscos assumidos ao adentrar no coliseu do mais instável e perigoso dos jogos.

Apenas se vive, a outra história foi escrita em meio a outro contexto, foi delineada a partir de outro enredo, enraizada noutro ponto de vista em que se mediu de diversas formas e pesou-se sua importância no devido tempo em que se desenrolou cada acontecimento. Perspectivamente foi sendo o pedaço desenhado em um papel já usado, mas que vai se reciclando continuamente, para conceber aos poucos porque não, num estável processo de pacificação e limpeza do próprio ambiente.

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