Ensaios

Poesia

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Afagos Perdidos



Rotina dos últimos tempos, abraçar com uma firmeza tremenda as anestesias que somente o álcool ou qualquer outro vicio traz. É seu alivio da frieza do seu cotidiano, fraco demais para encarar novamente a realidade dos traços e carregando um fardo de saber exatamente a mediocridade de sua condição, que por fim se entregou a deriva de alívios corporais para libertar o próprio pensamento da tortura que é enxergar com clareza sua situação medíocre e insossa. A perspectiva do quadro atual para ele nada tem de melhora acha, por terrores do presente e temores do futuro.

Vive pelo passado desde então, a única vertente de sua vida ao qual  na memoria tenha vivido algo plenamente bom. Sem perspectiva pelo que vem, já abandonou metas ou planos de esperança, tendo se tornado um cético sem nenhuma fé, uma critica voraz da ingenuidade que a maioria tem sobre os sonhos, jogou fora todas suas utopias e desejos, pois até este momento credita no ato de nascer o fatal erro de sua alma. Pôs se então a contar o correr do tempo, esperando a esmo as horas passarem a troco de nada, ansiando por algum evento derradeiro que resultasse em outra dimensão, para ele está aqui já deu o que tinha que dar no tilintar dos sinos.

Julga ser insuficiente para qualquer ação, ato, ou afeto dos semelhantes nem tanto iguais a suas aspirações. Crê piamente que suas medidas e histórico afasta qualquer aproximação contumaz, realmente verdadeira por parte dos alheios humanoides carcomidos que o rodeiam e tantas vezes o atormentam e julgam com pesos excessivos e repressivos. Como marionete, era jogado e controlado por alguém acima de sua condição como bem entendesse, trocado de mão em mão a cada peça encenada, um simbólico personagem secundário em qualquer história, o figurante de cenário perfeito para evitar a distração sobre o destino final do enredo. Sua trama pessoal de nada importava, ia perambulando de sarjeta a sarjeta mendigando afagos como um cão sem dono e patrimônio.

Tudo lhe tem um ar de formalidade burocrática e isenta de o mínimo de emocional nos projetos que o envolve. Não por sua causa no final das contas, mas porque todos evitavam esta abordagem consigo e por mais que tentasse buscar respostas concretas para essa questão, afundava-se em um lamaçal de incertas perguntas de respostas dúbias e relativas. Com seu caráter intempestivamente saudosista, suspirava e tinha um único sonho para a vida: que algum milagre divino ou inventividade da ciência concebe-se a ele uma volta no tempo, recuperar o tempo perdido ou apenas reviver idos de momentos de uma saudade tão intensa que se perdia em devaneios somente ao pensar na hipótese de uma máquina do tempo.

Mas sabendo da impossibilidade de algo miraculoso destes realmente acontecer, volvendo novamente a se absorver nas próprias divagações lamuriosas. Sua ideia sempre se concentra na busca para a conclusão de tamanha mediocridade de seu ser, suas falhas grotescas e o porquê da indiferença ao qual estava sendo submetido pelos outros. Fica escondido, observando pela fresta da vida os passantes que por ventura se vislumbrem perto de seu território, e em seus domínios fica se aliviando, em paginas e fotos amareladas pelos tempos passados.

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