Ensaios

Poesia

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ditos Sobre Outra



No seu mundo recluso, tenta dar formas a coisas e ideias do que considera como verdades absolutas ou até mesmo devaneios ingênuos, tudo isto variando as formas, intensidade ou tempo. Certas maquinações de sua mente e paixões eram arrebatadoras e instantâneas, mas acabavam terminando no nada, já que afinal das contas começaram do mesmo modo. Sua aura inquieta e ansiosa contribui para estes arroubos emocionais suscetíveis e sucessivos, fazendo com que sempre tenda a se enveredar por estas vias de ardores um tanto quanto inconclusivos e inesperados, traçando em torno de si a velha noção de duas faces do mesmo rosto, travando batalhas entre o definhamento na saudosa melancolia e a alegre sensação de envolventes afetos.

Mas nestas idas e vindas de embates psicológicos e das emoções desenfreadas, sempre surge alguma possibilidade que foge a regra, confluindo na noção clássica de exceção ao modus operandi convencional. Nestes idos de enclausurar forçado por si mesmo graças ao endurecimento de certas noções de mundo, tinha permanecido de forma intransigentemente insensível às investidas do mundo externo em suas muralhas, mas na luta entre os ditados populares do populacho, “quando um não quer, dois não brigam” e” água mole e pedra dura, tanto bate até que fura”, este ultimo foi o vencedor da contenta.

E novamente ele se prostra a força das próprias vontades do sentir sentimental, arrebatado de modo voraz sobre os mesmos termos dos tratados e tratativas de casos aos acasos anteriores. Na inocência vai aos poucos acreditando ter alcançado a seus domínios um ser com os mesmos convergentes aspectos incrustados em seu interior, características típicas de alguém que sente em demasia hemorrágica.  Como de praxe, vai dando contornos as utopias de sua mente atribulada sem se importar no desenrolar deste processo, acaba nisto tudo ficando em estado de ausência corporal perdido no mundo das ideias.

Em conversas que vão ao encontro do que pensa sobre alguém com quem possa estar a dedicar-se de forma acalentadora e reconfortante a ambos, vai nestas ingenuidades dos tolos e alegres trovadores alimentando a máquina transformadora do seu mundo inconstante. Ela vai correspondendo de forma precisa todas as suas preces e desejos a respostas para as aflições morosas que o acomete e dilacera, nestes flagelos que ardem o peito e nos inquietam excessivamente a cabeça. Ignorando os prognósticos e recomendações por fracassos anteriores que naufragaram e o exilaram a auto-condenação, se joga a perseverar nesta busca pessoal sobre os meios do que julga conceber como meta ao fim dos seus dias.

Mansamente esboça reagir frente aos próprios temores no seu agir e na forma de como inteirar-se do que realmente está ao seu redor, ainda que isto lhe custe mover-se para fora da zona de conforto. Necessita disso para permanecer sobriamente vivo e contentar os pensamentos que edificou até aqui, passando por intempéries ou regozijo mundano. Possam parecer mera teimosia e ação de humanoide que adora esmurrar paredes sem nenhum sentido aparente, ao fundo como prescrito tenta corrigir as lacunas incertas do seu quebra-cabeça.

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