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Poesia

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Desígnio dos desatinos

 Sensações e sentimentos são vertentes da alma humana em que ainda a ciência não vislumbrou alguma teoria para designar sua origem e sua concepção no homem. Isto se deve por uma característica de ambas que não permite uma analise óbvia e de resultado certo, pois emoções não são exata muito menos eventualidade que possa ser prevista em uma linha de tempo, ou medirmos seu peso e densidade numa balança de precisão. O sentir não foi feito para mensurarmos valor ou causa, ele é fruto da incoerência dos desígnios, vontade própria sem controle ou coordenação.

 É inútil buscar causa ou motivo das maneiras e do que se sente, não existe formula ou formato para dar a este. Sem encaixe para as emoções ou nosso sentimentalismo, forçar os mesmos a entrar em ordem, tentando impor disciplina a algo insubmisso a qualquer forma de poder ou dominação é similar a tentativa de se apagar fogo com gasolina: quanto mais tentamos controlar, maior é a força e tamanho que consegue alcançar. Todas essas frustradas tentativas de suprimir um sentimento só geram a problemática de desespero inconformado com o próprio querer.

 O que se tira de conclusão sobre os inexplicáveis ardores dos amores e suas vias de agir, o maior dos desatinos humanos. Sem ter como descrever seu começo ou fim certo, é maneira de buscar refugio contra o formalismo da razão pura, a forma mais imponente e pura de revoltar-se contra a ordem instituída do frio tratamento dado ao sentimento, visto como fraqueza de caráter moral neste mundo onde a posse do bem é mais bem quista que o bem em si. Essa visão predominante da precificação de tudo e do todo e á ultima fronteira que mercado e genética não ultrapassarão jamais: a criação de um amor tal como sentimos ou sentiremos um dia.

  Devaneio, utopia, sonho ou mero vislumbre são as formas do negativismo realista tenta através dos preconceitos de taxar a emoção como tolice e ideal inatingível, a engrenagem que acaba por girar os motores da maquina do Leviatã individualista, monstro do narcisismo transformando com seu toque oposto ao de Midas: se o rei em tudo que tocava transformava em ouro, tudo que o leviatã toca vira cinzas de algo que já foi humano um dia.


 Com vontade própria e avessa a obedecer a ordens, deve deixar o amor ter seus próprios caminhos criados a partir de suas vontades. Lutar e ir contra o querer do mesmo é golpear com todas as forças ponta de faca, tentar seguir a maneira ineficiente ao que se tornou senso comum na forma em que enxerga-se o mundo dos sentimentos. Basta olharmos o inicio da palavra: SENTImento, feito para sentir e viver, e não analise e julgamento dos seus desígnios e finalidade.

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