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Poesia

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Brechas das leis georgeanas

Acomodado com os conceitos seus sobre o que considera certo, George em determinadas ocasiões consegue ver brechas nos próprios ideais para ter desculpas de que não está agindo de má-fé e ter assim digamos, álibi preciso para cometer contravenções. Estava amparado na lei dos justos para ter as atitudes que bem entendesse, sabendo atravessar perfeitamente os furos da própria moral e assim obter salvo-conduto z agir levando em conta apenas o próprio prazer e satisfação, no seu narcisismo egoísta semelhante a um vilão destes de história em quadrinhos, como Lex Luthor (que poucos sabem, mas Espiridião Amin faz cosplay deste personagem).

 Destas questões de ética comportamental e mental, o jovem a bem da verdade não se esmera muito com as opiniões alheias condenando seus atos que levem a execração publica, digamos, o tão conhecido das fofoqueiras de peitoral de janela, “ficar mal falado”. Claro que acabe tendo até um pouco de egoísmo neste modo de encarar, pois não eram apenas as fofocas que acabava não dando trela, mas sim as opiniões e visões que os outros tinham sobre as coisas desta existência nossa cheia de paradoxos. E como ele afirma:

- Dar muita importância a opinião dos outros e as respeitá-las vão acabar fazendo de nós humanos, uma espécie de Sr Smithers dos Simpsons com transtorno de personalidade dependente.

No fundo o grande temor de George era a própria reprovação das ações tomadas nos assuntos de importância a seu viver, desde a dor no coração de ter que comprar para a mãe algum livro do Paulo Coelho, até as faltas cometidas contra os sentimentos de amigos e das “namoradinhas”, aquelas que o tio Zé sempre perguntava no natal como estavam, depois é claro de fazer a piada que todo tiozão de firma faz se é “pavê ou pacumê?”.

Contradição assim se estabelece no cotidiano do pobre excessivo pensador, fazendo a mente divagar além dos jardins suspensos da Babilônia nos sonhos, ou Sodoma e Gomorra quando tinha que lidar com os medos em seus pesadelos. Nestes conseguia perceber que quando a hora das suas falhas vier a tona e cobrarem seu preço exigindo cortar da própria carne o pagamento de tal tributo, ele mesmo não se perdoaria por ter cometido atos de desatino, o levando a uma zona-fantasma sugando toda vida para dentro de si.


  Mas isto no contar das horas apontadas pelo relógio acaba ficando em segundo plano dentro da imperativa cabeça georgeana, já que esta é povoadamente ocupada no esforço de entender a si mesmo, na tarefa de compreender o sentido da vida ou em porque de cangurus só existirem na Austrália.

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