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Poesia

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Essêncial diagnóstico

- Ultimamente ando vendo os traços que temos definido a usar nos dias que passam dessa rotina quase sempre estafante. Consumindo o psicológico e físico humano a um limite do stress, que em certos casos torna-se motivo para tudo verter num surto de insana fúria revoltosa ou num estado melancolicamente depressivo. 

- Mas me diga qual o fundo disto tudo caro George? teoricamente isto afeta a todos e não é algo especifico de sua personalidade. Então fale mais um pouco sobre, quem sabe acharemos um ponto de possível trauma ou recalque exposto.

- Bem Gaspar, o motivo de estas coisas estarem mais evidentes a mim agora, não sei bem explicar o motivo, mas de certa forma isto talvez passe pelo meu estado quase sempre ansioso, que costumeiramente sofre com o passado, tenta viver o futuro no momento atual e se ausenta do presente. Penso demais devido a estas características, e nesse pensar demasiado fico sem agir ou tomar decisão necessária a mover-se em algum sentido, mesmo que este não seja a ação certa para a situação formada em meu cérebro. Nestas manias compulsivas que carrego comigo, vislumbrei que aflitos e exasperados espíritos humanos tem entrado em conflito por não refletirem na realidade a própria essência. 

- Interessante este seu ponto de vista, ele pode definir um pouco mais sobre você mesmo e o seu entorno George, e a situação que provavelmente estais encarando neste momento...

- Bom, deixe-me primeiro concluir minha tese sobre o assunto. Esta minha ideia acerca da ausência de nossa essência nos atos do dia-a-dia, e sua rotina sempre regulada como um relógio suíço, deságua nas atribulações e perca de sentido ao tentarmos resolver e praticar ocupações, trabalhos e cumprir com nossos deveres, até mesmo na hora de fazer exigências sobre direitos e necessidades básicas na convivência com o semelhante tão ocupado de si na individualidade, sem tempo ou espaço para o outro. 

- Estou conseguindo puxar o fio desta sua meada meu caro, finalize que também concluirei.

- A questão é que deixamos de lado a diversão, o gostar e o prazer que tínhamos na infância, quando íamos fazer determinada tarefa. Quando criança escolhia o que eu achava justo e aprazível exercer como opção, e hoje é senso comum optar por aquilo que terá retorno mais bem visto aos olhares externos, ou seja, tentamos passar uma imagem de algo que não somos para atingir objetivos que a nossa essência não quer, ou melhor, não necessita. 

 - Bem caro George, talvez o que tenhas me exposto aqui derive de alguma complicação quando criança. Percebi isto a sua fala se remeter a algo derivado da infância, como se esta fosse a época de origem de suas crises. Possivelmente algum trauma na relação com sua mãe ou alguma repressão que seu pai lhe impôs, lhe fez ter esta teoria neste adiantar relapso da vida. Mas recomendo para que você acalme-se, manter a dosagem do seu psicotrópico para seu psicológico voltar ao normal. Sua incomodação foi efeito claro desta diminuição da dose em seu tratamento.

 E assim sendo George sai do consultório com diagnóstico preciso e bem resolvido da ciência Médica, aliviado pela bela solução apresentada pelo seu analista psiquiátrico para voltar a normatividade cotidiana. Afinal, a culpa sempre é de nossa relação com nossa família repressora.

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