Ensaios

Poesia

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Autômato

Muito do que buscava era apenas uma espécie de fuga da automatização e os contornos robotizados, que seus passos de humanidade acabavam se metamorfoseando sistematicamente num cotidiano determinado por produções em série repetitivas, de fadiga nauseada. Vivia apenas por alimentar um ciclo entediante de processos já previstos, ações estas que minavam sua criatividade e aspirações, até mesmo seu ócio fora alterado, tinha sido tomado vorazmente por uma súbita inquietude.Em suma, era o reflexo de um ser criado para alimentar algo a princípio invisível, mas descomunalmente opressor.

Perambulava rotineiramente com suas ações pré-fabricadas em atos, falsas encenações de uma vida seca, ponderada por vastas reprimendas das suas emoções e pensamentos com os quais almejava construir algo, embora inconcretos  retocado por certas confusões de ego, esta vontade partia dele mesmo, não era um plano externo. Vislumbrava uma obra sua, a idealização plena da sua arte explanada ponto a ponto e rebuscadas com traços firmes, fortes e intensos.

Queria mesmo ser o gerador das causas intrinsecamente ditas, feitas e concebidas por ideais que independessem de planejamentos de determinados grupos ou forças, regulamentadas a partir de normas, convencionadas como corretas ou puras. Tentava romper com os grilhões com os quais se sentia sufocado, almejava cada vez mais intensamente os meios com que poderia por fim a estes açoites de seus sonhos. Dar um basta conclusivo nas perversidades infligidas por tormentas repressivas.

Por fim, foi permitindo aliviar-se das armadilhas com que o tédio e a nauseante rotina automática ao qual estava submetido. Obteve aos poucos lições absorvidas em um tempo-espaço diferenciados. Teve uma experiência singular ao ter se divertido para além das origens das coisas, ao ser tocado por um leve tom de dadiva divina, pode por si só esboçar um largo e estridente riso de espontâneo alívio de apaziguamento.

Voltou a andar novamente, revigorado por presenciar nas criações do caos, a real ordem desordenada dos fatos, fora aplacado das amenidades, enfim, tinha voltado ao seu estado natural de humanidade.

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