Ensaios

Poesia

domingo, 14 de abril de 2013

O Monstro Interno



Ultimamente venho tendo os pensamentos consumidos pelos mais variados questionamentos, sejam eles rasos ou profundamente densos. Um em especial tem de certa forma, ocupado fortemente meu tempo maquinando esboços e teorias sobre o mesmo: a contradição demasiadamente humana sobre o conflituoso embate sobre a nossa conduta entre discurso x ação, a eterna busca em conciliar da melhor forma possível ambos sem que sejamos hipócritas ou juízes sem nenhum juízo moral, permitindo-me abusar da retórica redundante.

É extremamente fácil e belo ter um discurso completamente ideal, praticamente um sonho idílico construído nos alicerces do mais seguro e belo mármore grego, estando este discurso alinhado perfeitamente com a ética e nossos direitos universais de liberdade, igualdade e fraternidade, tão recorrentes em nosso tempo aos qual a sociedade moderna assentou toda sua teia social e difundiu em normas de lei. A plena liberdade do individuo é citada amplamente e defendida a plenos pulmões, mas enquanto no campo da teoria o avanço foi e é pujante, progressista e visceral, quando chega aos momentos de trazer as questões para a realidade e aplica-los agindo de uma forma na qual possa ser levada adiante, torna-se evidente como acaba empacando este agir.

Com um discurso claro, preciso e direto, vamo-nos armando com a mais bela das retóricas que a principio criamos num forte senso critico para avaliar o todo. É muito bom e necessário termos um senso critico embasado e alinhado com nossa filosofia e pensamento, entretanto geralmente acabamos por nos enveredar pelo mundo da hipocrisia regulatória. A velha ideia presente na frase “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” toma força e reacende as maiores contradições latentes dentro de cada cérebro humano, perdendo-se a noção do maleficio que causamos ao ambiente ao qual estamos inseridos e com isso o clássico efeito borboleta torna-se uma cruel verdade.

Resta então buscar-se amenizar estas mazelas da contradição, fazer exercícios e reflexões sobre nossos atos e o quanto os mesmos estão desconfigurados com nosso modo de pensar e enxergar a vida. Obviamente isto é um processo complicado, pois nos força a aprendizados diários e esforços sobre nosso individualismo que está incrustado subconscientemente no pensamento humano, presente em nossa educação, concepção de mundo e vontades, ou seja, ter um domínio de si mesmo e dos impulsos mesquinhos leva tempo, uma evolução que apesar de seu custo, é essencial para assentar uma mudança definitiva.

Encarar e botar em pratica nosso discurso e imergir ele na realidade é uma tarefa árdua para qualquer ser com uma mínima lucidez e racionalidade, evitando assim definhar-se em frustrações consigo mesmo. Por isso me lembro de um pensamento ao qual me expuseram, estamos divididos em 3 divisões de preconceituosos: o que é preconceituoso e não tem consciência disso, o que é preconceituoso e tem noção mas não tenta mudar pois isso lhe convém de algum modo, e o que sabe dos seus próprios preconceitos e luta contra eles, policiando-se e evitando ao máximo reproduzir isso na pratica da realidade.

De fato, o maior monstro que devemos lutar e derrotar carregamos conosco, enraizado dentro de nosso ser, e a capacidade de vencê-lo é uma tarefa pessoal ao qual é vital para elevar-se a um estágio de vida mais digno.

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