Ensaios

Poesia

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Lendas Modernas



“Perdurava a asfixia, por mais que tentasse desvencilhar-se, a velha sensação o perseguia, marcava os passos por onde cambaleava, travando qualquer modo ou meio pelos quais agia. Seus parcos passos faziam uma rota de senso comum, acabando por vagar errantemente em círculos, deveras viciosos, numa espécie de trama obscura alienada de qualquer pensamento reconfortante, levando-o a uma carreira inabalada imerso em seu caos particular aos leves traços de cruel insanidade.

Então a vontade voraz de vaguear sem nenhum caminho determinado ou traçado em planos conjecturados por uma ansiedade dos momentos, de passados do pretérito ad eternum imperfeitos e intransigentes, foi o conduzindo a aparentes convulsões de seu cerne central. Ficava se perguntando a por que cargas d’agua era acometido de opulenta sensação, ia verificando até certos traços de lucidez nesse indecoroso processo de autodestruição ao qual se submetia pela própria incapacidade de buscar a solução final pessoal.

Rebuscava pelos cantos planos e metas para fugir da inércia do caos em que se tinha acorrentado, nos moldes fabricados por obra de seu próprio trabalho inconclusivo e disforme. Em certos momentos ocultava sua parcela de culpa e incutia em fatores (ou agentes) externos a causa de suas enfermidades calamitosas. Fazia um julgamento das ações alheias contraditoriamente, afinal, no caso explanado era o cumplice mais do que envolvido na situação, provável que fosse o mandante deste crime sórdido, e olhando por este viés friamente racional, teria sido então enquadrado nas leis humanas por ato indecoroso contra a própria vida.

Foi enfim tornando-se evidente a raiz deste estrangulamento da sua vitalidade: era a ausência do que tinham cravado em si. Após tomar posse do seu ser incompleto completamente, ela subitamente levantou-se e foi buscar outras verdes campinas para rapinagens furtivas, deixando atrás de si e dentro dele um rastro do saque e do assalto aos cofres mais ocultos, em certa medida as muralhas do velho castelo outrora imponente, foram devastadas pelas hordas do barbarismo indiferente, ardendo nas torres de efervescente desolação.

E pelas ruinas da muralha assentou seus novos velhos domínios. Com certeza não fazia ideia de como iria reconstruir-se novamente ou com que meios usufruiria ou em quem poderia encarregar-se de requisitar auxilio. Deu-se conta ao final das maiores ninharias ou meros detalhes, em que todos os equívocos aos quais provocou e tinha sido provocado, Nada mais eram que uma espécie de sua própria via crucies na busca por uma semi-utopia, pois no fundo de suas crenças, mantinha uma fé cega por certas lendas modernas, como a fraternidade sincera e o amor.”

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