Ensaios

Poesia

domingo, 26 de janeiro de 2014

Desatino absoluto



“Necessito dos teus incômodos e das tuas lamentações sobre que ando, faço digo e dito sobre nós e o resto das coisas. Pequenos encaixes entre nossas ordens de sintonia intensa, mas disforme, vamos desencontrando as peças erradas para no fim enxergar os encaixes perfeitos de nosso quebra-cabeça destes efeitos impressionistas um tanto quanto abstratos e até de formato surrealista. Mero dizer aqui em prosa faz, pois o momento assim exige e me da como a única opção de expor as benditas aflições que guardo ao remeter meus pensamentos e vontades sobre a sua concepção.

 Quando me deparo em como nossos embates sobre amor e outras distrações derivam ao mesmo resultado de feitio denso e de avassaladora corrente, definem sentimentos indescritíveis em qualquer linguagem utilizada para comunicação. Sou colérico, sarcástico, enfático, rude e por vezes malicioso com seus atos e passos geralmente por mera satisfação em te espezinhar, pois é lhe causando a saída da zona de conforto quando nelas te recolhes numa espécie de carapaça reclusa que por vezes não lhe alcanço dentro dela. É te tirando do sério que assim lhe tenho nos braços a fim de nos descobrir como ser uno e indivisível na origem das coisas.

 É o teu silencio que me passa a ânsia de ter cometido pecado capital acerca das nossas relações de ardor ferrenho. A indiferença é o golpe matreiro que me prostra ao chão perante a duvida que esta acarreta no espírito combativo que tento manter com chama ardente e viva sobre a escuridão das noites taciturnas da sua súbita quietude. Na minha aspereza oculto a sensibilidade da situação que estarei eternamente posicionado, de sonhador e suas utopias sobre o que viver como criança perdendo-se em risos ao deparar-se com uma nova brincadeira descoberta a sua maneira.

 Faço das minhas tolices apenas para causar-lhe desconforto, pois nela revelas o quanto podes sentir as intensas vontades sobre o meu ser que insiste na teimosia de imbecilidades, apenas a ter certeza de poder amar-te de forma plena e visceral. Nestas manias imperativas de realista almejando estar idealista, é a busca de ter a certeza total das verdades da emoção que faz as engrenagens rodar e continuarem seus movimentos. Se nossa grande verdade universal é que não há verdade absoluta, vou-me por nos estados de devaneio e desatino constante.“

Encontrado assim este escrito em um casaco de morto boiando as Margens do Rio da Prata, Montevidéu 1979, época onde o voo do Condor carniceiro das ditaduras na América do Sul fazia seus banquetes na destruição de causas e vidas.

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